Polícia Civil investiga desvio de mais de R$ 1 milhão no Hospital Evangélico
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quarta-feira, 08 de agosto de 2018
Carolina Avansini <br> Reportagem Local 
A Polícia Civil de Londrina deflagrou na manhã desta quarta-feira (8) a Operação 'Sétimo Mandamento', que investiga o desvio de pelo menos R$ 1,29 milhão de recursos do Hospital Evangélico de Londrina. A principal investigada é a ex-gerente financeira da instituição, Cristina Aparecida Antônio, que já foi demitida. A denúncia foi feita à polícia pelo próprio Hospital Evangélico, que descobriu os desvios após realização de uma auditoria interna. Há suspeita de participação do ex-convivente de Antônio, André Luiz Politi, como beneficiado pelos desvios. Os dois viviam em união estável, mas segundo a polícia, se separaram recentemente.
"A princípio foi identificada a participação da ex-funcionária do Hospital nesse desvio milionário. Ela ocupou o cargo de gerente financeira e por isso tinha acesso a toda a movimentação financeira. As investigações vão avançar para saber se houve participação de terceiros. Também buscamos a recuperação de valores que foram desviados dessa unidade", afirmou o delegado-chefe da 10ª SDP (Subdivisão Policial), Osmir Ferreira Neves.

Ele confirmou que a investigada se valia da própria atividade no setor financeiro do hospital para viabilizar o desvio milionário. "Quando foram apuradas as irregularidades, a instituição avisou a polícia", confirmou o delegado, que agora pretende investigar o contexto da atividade que ela desenvolvia no Evangélico. "Como a unidade atende não só a iniciativa privada, mas também saúde pública, vamos apurar a origem do dinheiro para delinear a responsabilidade criminal da funcionária ou de terceiros", disse.
A Polícia Civil pediu o bloqueio das contas bancárias de Antônio e também do ex-companheiro, de quem ela teria se separado há pouco tempo. O delegado operacional da 10ª SDP, João Batista dos Reis, informou que R$ 1,241 milhão foram transferidos para a conta de Politi e outros R$ 49 mil para a conta de Antônio. "Pedimos quebra de sigilo bancário para saber o destino desse dinheiro, se usaram ou transferiram para terceiros. Neste caso pode caracterizar crime de lavagem de dinheiro", explicou.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão na residência da investigada e locais que pode indicar outros beneficiários da atividade ilícita. "Pela gravidade dos fatos, a investigação pode resultar em prisões. Estamos em fase de produção de provas e, neste momento, queremos recuperar bens e valores desviados e identificar toda a extensão de autoria", afirmou Neves. Além do bloqueio das contas, foram sequestrados uma residência, um veículo e uma moto pertencentes a Antônio.
Em nota divulgada na manhã de quarta-feira (8) pela assessoria de imprensa, o Hospital Evangélico de Londrina "vem a público apresentar esclarecimentos sobre os fatos relatados pelas autoridades policiais e divulgados na imprensa na data de hoje, envolvendo o desvio de recursos a qual foi vitimada a instituição. A partir da identificação do problema, a direção do hospital tomou todas as medidas administrativas e jurídicas cabíveis, inclusive representação criminal requerendo a completa investigação dos fatos. Importante esclarecer também que o fato se tratou de um problema pontual e isolado, bem como ressalta-se que a instituição preza pela ética, integridade e transparência. Há dois anos o Hospital passou a adotar o modelo de governança corporativa com práticas de compliance, como implantação do código de conduta e órgãos de controle, favorecendo a conformidade dos processos, a prevenção, identificação e combate a fraudes e a condutas inadequadas".


