Os policiais civis do Paraná entraram em greve ontem à tarde, exigindo reajuste salarial. Os principais reflexos da paralisação, que deverão ser sentidos a partir de hoje, são a suspensão dos trabalhos administrativos e burocráticos nas delegacias, inclusive o registro de boletins de ocorrência, e a redução drástica do número de policiais fazendo guarda em delegacias que abrigam presos – de três, em média, para um.
Até o início da noite, não havia avaliação sobre o índice de adesão da categoria ao movimento. O Estado tem 3,2 mil policiais civis. ‘‘Espero o engajamento em cascata no interior’’, afirmou Luiz Bordenowski, presidente do Sindicato das Classes Policiais Civis do Paraná (Sinclapol). Cerca de 400 pessoas, entre eles delegados sindicais de todas as regiões do Estado, participaram da assembléia, realizada em um clube de Curitiba.
Após a assembléia, os grevistas saíram do clube em grupos, para promover um ‘‘arrastão’’ nas delegacias da Capital. O objetivo era convencer os colegas que permaneciam no trabalho a aderir ao movimento. Às 16h30, eles conseguiram fechar o portão do núcleo de abastecimento dos veículos, no Centro de Curitiba.
O estopim da greve foi a concessão de 60% de reajuste, divididos em parcelas, aos policias militares do Estado. O anúncio foi feito no último dia 20, pelo governador Jaime Lerner (PFL). A medida irritou os policiais civis, que se consideraram discriminados.
A principal reivindicação da greve é a extensão a todos os policiais civis de um abono por dedicação exclusiva à função (exigida por lei). Hoje, apenas 400 dos 3,6 mil policiais recebem essa gratificação, porque obtiveram decisões favoráveis da Justiça. Isso representa um salário 120% maior para o grupo favorecido. ‘‘Hoje temos pessoas exercendo a mesma função e ganhando salários absolutamente diferentes’’, disse Bordenowski. O piso inicial na Polícia Civil é de cerca de R$ 600,00. Com o abono, iria a R$ 1,2 mil.
As outras exigências são a implantação de um Plano de Cargos e Salários, engavetado pelo governo; a retirada de presos das delegacias, situação que hoje obriga os policiais a guardar detentos, o que é considerado ilegal; além de compra de armamento e veículos novos.
Em Curitiba, só devem funcionar normalmente a partir de hoje o Instituto Médico Legal (IML) e o Instituto de Criminalística. A categoria marcou nova assembléia para segunda-feira.

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