Polícia Civil e UEL investigam acidente
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segunda-feira, 13 de fevereiro de 2006
Alan Maschio<br> Reportagem Local 
A Polícia Civil abriu ontem inquérito para investigar as causas do acidente que matou um estudante e feriu outros 23 na tarde de domingo, no campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL). A marquise de um dos anfiteatros que sediavam um congresso de zoologia desabou sobre a fila de alunos que esperava à porta do prédio. Em uma entrevista ontem, a reitora da UEL, Lygia Pupatto, e o prefeito do campus, Laerte Matias, anunciaram a abertura de sindicância interna para apurar o acidente. A universidade também garantiu apoio médico e transporte para as famílias das vítimas.
O delegado-adjunto da 10 Subdivisão Policial (SDP),Nelson Águila, vai conduzir as investigações, que devem ser concluídas em 30 dias. Há a possibilidade de prorrogação deste prazo.
A sindicância interna será composta por engenheiros do quadro de docentes e do departamento de Segurança da UEL. ''A sindicância vai levantar os projetos, laudos, o nome da empreiteira responsável e toda a documentação relacionada à construção do prédio'', afirmou Matias. Os trabalhos devem ser concluídos em 15 dias.
O Anfiteatro do Centro de Ciências Sociais Aplicadas (Cesa) é um prédio considerado novo. Tem oito anos, capacidade para 280 pessoas e foi levantado durante a gestão de Jackon Proença Testa. No momento do acidente, cerca de 200 alunos se aglomeravam diante do prédio, tentando fazer as inscrições para um congresso nacional de zoologia.
De acordo com a reitora, todos os prédios do campus passam por manutenção periódica e não havia nenhum comunicado oficial a respeito de prováveis falhas na estrutura. Funcionários e alunos ouvidos no momento do acidente afirmaram que o piso sob a marquise estava molhado devido a goteiras no teto. ''Não podemos fazer nenhuma avaliação sem antes ter o laudo da Polícia Científica em mãos'', limitou-se a dizer a reitora.
A reitoria também garantiu apoio irrestrito às vítimas do acidente. Dos 23 feridos, 11 ainda estão internados em hospitais da cidade, esperando pela chegada de parentes que são, na maioria, do interior de São Paulo, Minas Gerais e de Curitiba. Segundo a reitora, todas as famílias já foram avisadas. A universidade decretou luto por três dias.
O corpo do estudante João César Eugenio de Boscoli Rios, morto no acidente, foi transportado por um avião do governo do Estado ontem à tarde para Belo Horizonte. João César, que estudava em Ribeirão Preto (SP), era de Araxá (MG).
Na tarde de ontem o secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldair Rizzi, esteve na UEL para ver o local do acidente e prestar solidariedade à direção da universidade. Rizzi não quis fazer comentários sobre o acidente. ''Só poderemos falar mediante o laudo técnico.'' Depois de passar pela universidade ele visitou as vítimas e familiares no HU.
O Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado do Paraná (Crea-PR) solicitou ontem à UEL os projetos relativos à obra e o laudo conclusivo das causas do acidente. Com base nestas informações, o Conselho vai analisar se houve falha do profissional responsável. Em caso positivo, o problema será encaminhado para as câmaras de Ética Profissional e de Engenharia Civil do Crea, e o resultado poderá ser desde uma advertência até a cassação do registro profissional do engenheiro.
Ontem o engenheiro Julio Cotrin, inspetor do Crea, visitou o anfiteatro mas a área ainda estava isolada. ''Como não sabíamos se a polícia ainda iria fazer alguma perícia no local, não pudemos mexer em nada. Pretendemos voltar ao lá posteriormente'', disse.
A Folha tentou ouvir familiares das vítimas que passaram o dia nos hospitais, mas nenhum deles quis falar sobre o assunto. (Colaborou Silvana Leão)


