Polícia civil do PR tem o pior salário do País
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quarta-feira, 03 de julho de 2002
Mônica Kaseker<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Polícia Civil do Paraná tem o menor efetivo, em relação ao número de habitantes, e o pior salário do País. Esta situação foi relatada na Carta do Paraná, documento conclusivo do I Encontro Estadual de Delegados de Polícia realizado em maio, em Cornélio Procópio. Há mais de um mês os dirigentes da associação e do sindicato dos delegados do Paraná (Adepol e Sidepol) estavam tentando audiência com o governo para entregar em mãos as reivindicações da categoria. Como não conseguiram, ontem eles decidiram divulgar o teor da carta.
De acordo com o Ministério da Justiça, no Paraná existem 15 policiais civis para cada 100 mil habitantes, sendo que a média brasileira é de 66/100mil. Essa informação foi citada no documento com o objetivo de sugerir ao governador imediata reposição e ampliação do quadro da Polícia Civil.
No item que trata sobre salários, os delegados reclamam dos mais baixos salários de base do Brasil, cerca de R$ 650,00, segundo o presidente da Adepol Falze Salmen. O ideal, diz ele, seria R$ 1.300,00, o que teria um impacto de 0,2% na folha de pagamento e já teve parecer favorável e técnico da Secretaria da Fazenda. Também estão citadas no documento distorções causadas pelo pagamento de gratificações e vantagens conseguidas na Justiça indiscriminadamente, não havendo isonomia de tratamento.
O delegado Fauze Salmen diz que dos 14 itens contidos no documento, o governador poderia atender pelo menos metade, apesar de restar poucos meses de seu mandato. Os delegados querem, por exemplo, nova alteração no Estatuto da Polícia Civil. Segundo a presidente do Sidepol, delegada Valéria Padovani de Souza, há diversos dispositivos inconstitucionais na versão aprovada há um ano a toque de caixa pelo governo na Assembléia Legislativa, desconsiderando todas as sugestões apresentadas pela categoria. Um dos problemas do novo estatuto seria a composição do Conselho da Polícia Civil, que permite a indicação de dois representantes de fora da corporação pelo secretário de Segurança Pública, num total de nove componentes.
Aposentadoria especial, alteração no currículo de formação dos policiais civis, hierarquia funcional nos quadros da polícia, notificação de interessados sobre a pauta de julgamento nos processos administrativos e direito de defesa e julgamento antes da divulgação de denúncias envolvendo delegados foram outras reivindicações contidas na carta.
Procurado pela Folha, para falar em nome do governo, o delegado geral da Polícia Civil, Leony Ribeiro, disse ontem que já solicitou uma cópia do documento e que só se pronuncia depois de analisar com calma os dados apresentados pelos delegados de polícia. (Colaborou Leandro Donatti)


