Polícia Civil apresenta hoje o laudo da perícia
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de julho de 1997
Cristine Pieske 
Curitiba
A Polícia Civil apresenta hoje pela manhã, no Instituto Médico Legal, o laudo final da perícia técnica sobre a morte do delegado Jaime Gonçalves de Castro, assassinado por policiais civis no início de junho. Com base no laudo, o delegado que preside o inquérito, Josmair Franco de Camargo, pretende conseguir novos subsídios para a investigação do caso, que tem duas versões conflitantes. As informações da perícia deverão confirmar a trajetória percorrida pela bala e se existiam ou não resíduos de pólvora nas mãos de Castro.
O crime aconteceu na noite do dia 9 de junho, quando o delegado da 2ª Delegacia de Acidentes de Trânsito estava próximo à Favela Xapinhal, no Bairro Sítio Cercado. O delegado, que estava num Monza com outras três pessoas, foi abordado por um Fiat Tipo, dirigido pelos investigadores do 8º DP Paulo Roberto da Silva e Emerson Zeglin. Segundo a versão dos policiais, eles teriam confundido o delegado com um traficante, que estava sendo procurado na região. Ainda de acordo com os policiais, Castro teria reagido com tiros à ordem dada pelos investigadores para que parasse o carro. Os acompanhantes de Castro negam que ele tenha disparado contra os policiais.
O delegado Camargo, da Delegacia de Homicídios, diz que não pretende se pronunciar oficialmente antes da divulgação do laudo técnico, mas afirma que a hipótese de que o crime tenha sido motivado por vigança é cada vez mais remota. Nehuma hipótese foi descartada até o momento, mas os índicios de que o crime tenha sido premeditado são, por enquanto, inexistentes, diz.
Após a morte do delegado, sua companheira, Orlanda Vidal Pereira, afirmou que Jaime Castro vinha sofrendo ameaças de morte. Ele era o responsável pela investigação de um caso de atropelamento, provocado por um policial civil. Ontem, o delegado que preside o inquérito tomou o depoimento dos dois filhos legítimos de Castro com a ex-mulher dele, Antônia das Graças Oliveira. Segundo o delegado, nenhum deles confirmou a versão de que seu pai estivesse recebendo ameaças de morte.


