Polícia caça ladrão que ataca mulheres
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de dezembro de 1997
Lorena Aubrift Klenk 
Curitiba
Albari RosaOusadiaNum dos tipos de crime que mais preocupa, bandido aborda mulheres na garagem para sacar dinheiro no caixa eletrônicoUm crime violento a cada 30 minutos, 22,36% ocorrências policiais a mais que no ano passado. Os números da Polícia Militar - relativos ao período de janeiro a novembro - comprovam o que é voz corrente na população: o crescimento da violência em Curitiba. Nesse quadro de medo crescente, um tipo especial de vítima tem preocupado a polícia: as mulheres, alvos preferenciais de quadrilhas de assaltantes de caixas eletrônicos que agem com cada vez mais desenvoltura na cidade. Pelo menos dois grupos de assaltantes dedicados a essa modalidade de crime são procurados pela polícia, sem qualquer resultado até agora.
A 1ª Delegacia de Furtos e Roubos (DFR), sediada no bairro Cajuru, registrou este ano 22 casos de assaltos relacionados a caixas eletrônicos. O delegado Ézio Vicente da Silva, titular da 1ª DFR, admite que há subnotificação. As pessoas têm medo de represália dos bandidos, por isso não registram queixa, afirma.
Das quatro mulheres vítimas dessas quadrilhas que aparecem nesta reportagem, pelo menos duas não avisaram à polícia. Elas têm medo, é verdade - tanto que não querem ser identificadas e não permitiram fotografias. Mas, além do medo, sobra também desconfiança em relação à polícia. Não registrei queixa porque sei que ia dar em nada, diz a microempresária L.S., de 42 anos, dona de uma papelaria.
Ela foi assaltada no dia 20 de novembro, à luz do dia, quando chegava para almoçar em seu apartamento no bairro Champagnat. L.S. diz que percebeu a presença de um rapaz estranho em frente ao prédio, mas não se importou e entrou com o carro (um Corsa) na garagem. Quando manobrava para estacionar, viu que o rapaz havia entrado junto e estava armado.
Ele me ameaçou, sentou ao meu lado no carro e me obrigou a sair dirigindo. Algumas quadras depois, assumiu o volante e rodou comigo pela cidade durante mais de uma hora. Ficou com dois cartões bancários e um de crédito e me liberou, conta a empresária. L.S. teve tanto medo que não avisou o banco de imediato. O assaltante sacou um total de R$ 5 mil, mas não chegou a usar o cartão de crédito, cancelado no dia seguinte ao do assalto. Apavorada, ela agora evita sair de carro e só entra na garagem acompanhada do marido.
Com a fonoaudióloga C.M.P., de 31 anos, o assalto aconteceu à noite, por volta das 20 horas. Além dela, estava no carro o filho de dois anos e três meses. C.M.P. estava guardando os óculos na capa, já dentro da garagem do prédio, no bairro Juvevê, quando o assaltante se aproximou. Apontando uma arma, mandou que ela passasse para o banco do passageiro, avisando que iriam dar uma volta.
Pedi que ele me deixasse em casa com meu filho, que levasse o carro, mas ele disse que o negócio era grana. Ele rodou quase duas horas, dirigindo. Perguntou se eu conhecia a região, fingi que não. Fez perguntas sobre o meu marido e quis saber a minha idade. Depois, pegou a minha bolsa, tirou os R$ 50,00 que eu tinha, mais o cartão de crédito e o do banco. Pediu a senha e eu dei a verdadeira, com medo de mentir. Perto do Jardim Social, ele parou o carro, mandou que eu não olhasse para trás depois que ele fosse embora e, antes de descer, disse que eu tinha sorte porque ele não era nem matador nem estuprador. Ela não registrou a ocorrência na polícia.
A história dela é praticamente idêntica à descrita pela jornalista Ruth Bolognese num artigo publicado num jornal local há cerca de dois meses. Ruth, que mora no Alto da Rua XV, também foi abordada dentro da garagem, por um assaltante jovem, que conversou com ela durante todo o tempo que rodaram pela cidade, até abandoná-la, sem se interessar pelo carro. Poucos dias antes do Natal, outra jornalista de Curitiba foi abordada por um assaltante dentro da garagem. Mas teve menos sorte: foi agredida no rosto e precisou ser hospitalizada.


