Polícia busca pistas no Gol da fotógrafa
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domingo, 19 de outubro de 1997
Carmem Murara Curitiba 
Os técnicos da Criminalística devem terminar hoje, ou no máximo amanhã, a perícia no carro da fotógrafa Leila Wright, 36 anos, assassinada na quarta-feira da semana passada dentro de sua casa, no jardim Social. O carro foi encontrado no sábado por policiais da Delegacia de Furtos e Veículos. Ele estava abandonado na Rua Raposo Tavares, no bairro Pilarzinho. O delegado Antonio Jungles dos Santos, da Delegacia de Homicídios, tem esperança de encontrar impressões digitais ou outras pistas que levem ao assassino. O laudo oficial da perícia não tem data para estar concluído.
O autor do crime usou o carro de Leila, um Gol preto ano 97, para fugir da casa dela. Ele abandonou o veículo intacto, sem sinais de arrombamento ou estragos na lataria. Apenas os quatro pneus foram trocados, provavelmente para despistar os policiais que investigam o caso, acredita o delegado. Dentro do automóvel foram encontradas outras pistas, que estão sendo mantidas em sigilo.
É um caso complexo, mas achamos que não foi um matador profissional, antecipou Santos. Ele disse que somente um amador deixaria de preparar a fuga antes do crime e fugiria no carro da própria vítima, correndo o risco de ser localizado com facilidade.
Leila Wright morreu com 14 facadas após ter sido amarrada e espancada. O crime aconteceu por volta das 20h30 de quarta-feira, pouco depois que a fotógrafa chegou em casa. O delegado trabalha com duas hipóteses: ou o assassino estava escondido dentro da casa ou chegou com Leila. Ele descarta a possibilidade de o namorado dela estar envolvido, como chegou a ser cogitado. Ele mora em Minas Gerais e falou com o irmão de Leila horas antes do crime, afirmou.
A fotógrafa era filha do ex-deputado catarinense Paulo Wright, que morreu em 1973, após ser perseguido pelo governo militar. Leila trabalhava para grupos ligados aos direitos humanos. Ela militava no movimento Tortura Nunca Mais.


