Polícia bloqueia via em área ocupada
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terça-feira, 30 de maio de 2000
Guiherme Gouveia De Foz do Iguaçu Especial para a Folha 
Duas viaturas do Grupo de Operações Especiais da Polícia Militar (GOE), com aproximadamente 10 policiais, interditaram duas entradas da Fazenda Mitacoré, ocupada por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, e impediram a passagem de veículos pelo caminho alternativo que furava a praça de pedágio na BR-277, em São Miguel do Iguaçu (45 km a nordeste de Foz do Iguaçu). No momento da operação, cerca de 50 integrantes do movimento acompanharam o trabalho dos policiais sem nenhum tipo de confronto.
Os policiais seguiram determinação do comando da Polícia Militar que, por sua vez, atendeu uma solicitação da empresa Rodovia das Cataratas S.A para bloquear a estrada alternativa. Integrantes do Movimento dos Sem-Terra prometeram remover os obstáculos colocados nas duas vias de acesso à fazenda. Segundo eles, os obstáculos prejudicam o fluxo de tratores que trabalham no cultivo da terra.
Dois tratores contratados pela empresa Rodovia das Cataratas fizeram buracos e acumularam uma grande quantidade de terra, inviabilizando a passagem de veículos. A estrada funcionava como opção para quem desejasse não pagar a tarifa cobrada pela empresa concessionária do trecho da BR-277. Durante o período que a reportagem da Folha esteve no local, o fluxo de veículos que passava pela estrada era grande. Em média, para cada dois veículos que transitavam pela via legal, um passava pela via alternativa. A entrada sempre existiu, o número de veículos aumentou porque o pedágio ficou muito caro, disse um sem-terra que não quis ser identificado.
Para o motorista de ônibus, Amauri Tonis, 32 anos, morador de São Miguel do Iguaçu, a estrada era de grande utilidade. Não compensa pagar R$ 6,00 para passar pelo pedágio. O justo seria no máximo R$ 2,00, disse. Valdecir Cole, 35, residente em Medianeira, precisa todo dia ir até Foz do Iguaçu. Como trabalho com venda de móveis, tenho que viajar todo dia, e com esse preço, não estava compensado viajar, reclamou.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra na Fazenda Mitacoré, com 72 famílias, autorizava os veículos a passar pela via alternativa sem cobrar taxa. Segundo um dos integrantes, as doações dos motoristas são espontâneas. Ninguém obriga os veículos a parar e dar dinheiro, quem quiser dá um agasalho ou um alimento. Cobrar vai contra os princípios do movimento, disse. Segundo um dos policiais do GOE, o movimento estava cobrando taxas para permitir o acesso à via alternativa.


