Polícia atribui morte de menor a trauma no crânio
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quarta-feira, 25 de março de 1998
Alexandre Sanches 
Josoé de CarvalhoMaria Aparecida, tia de HelitonAs polícias civil e militar de Arapongas (37 km a oeste de Londrina) ainda desconhecem a causa da morte do menor Heliton José Souza, 12 anos. O menino desapareceu da casa dos avós no final da tarde de sábado e foi encontrado morto na segunda-feira, num córrego de um fundo de vale na periferia da cidade.
A família afirma que o menino foi assassinado e que teve informações de um médico-legista, identificado como Miguel, de que houve violência sexual contra o menor. Mas a polícia prefere trabalhar a hipótese de que ele caiu, ao ver a enxurrada provocada pelas fortes chuvas de sábado à noite, bateu a cabeça e se afogou. No atestado de óbito consta como causa da morte afogamento pós-traumatismo craniano.
O delegado de Arapongas, José Carlos Bassalubre, disse que ainda não há material suficiente que comprove homicídio. Ainda não temos pistas, apesar do trabalho de investigação que estamos realizando em parceria com a Polícia Militar, desde que foi comunicado o desaparecimento, afirmou. O policial militar Dorival Marcos Lobato, tio do garoto, também está trabalhando nas investigações.
Até que o laudo do Instituto Médico-Legal (IML) esteja concluído, Bassalubre insiste na hipótese de que o menino caiu, bateu a cabeça e, desacordado, acabou se afogando. Por causa das fortes chuvas de sábado a noite, o corpo foi levado por aproximadamente 500 metros do local onde teria caído com a bicicleta. No córrego, partes da bicicleta foram encontradas desmontadas.
Vamos aguardar a conclusão do laudo, que está faltando somente ser datilografado e assinado pelo médico-legista. Pelas informações que já tivemos do IML, sabemos a causa da morte do menino e que não houve violência sexual, ressaltou o delegado, sem se aprofundar mais nas declarações. Ele espera receber o laudo concluído ainda esta semana para proceder as investigações.
Para a família, Heliton foi morto por dois rapazes que foram vistos caminhando em direção do fundo de vale, logo após o menino ter descido. A tia, Maria Aparecida Lobato, 37 anos, quer explicações da polícia sobre o motivo da bicicleta estar desmontada no córrego.
O médico-legista Miguel Yoneda, que está trabalhando no laudo pericial, não foi encontrado ontem à tarde no IML de Londrina e nem no Hospital Universitário, onde também trabalha. Já o chefe do IML, Antônio Carlos de Queiroz, achou estranho a família ter informações dadas pelo legista Yoneda. Ele disse que faltam alguns exames laboratoriais para a conclusão das investigações. Yoneda é muito minucioso e evita comentar qualquer fato sem ter concluído os trabalhos, defendeu.


