Paulo Pegoraro
De Cascavel
A Polícia Civil está investigando o ataque praticado por três homens, anteontem, a quatro integrantes da Polícia Militar Rodoviária na PR-182, nas proximidades de Capitão Leônidas Marques (65 quilômetros ao sul de Cascavel). Armados com pistolas 9 milímetros, eles teriam dominado os patrulheiros depois que o carro em que estavam foi barrado para inspeção. Eles dispararam cerca de 20 tiros, sendo que 11 perfuraram o carro policial (uma Parati) em vários pontos. O trio fugiu em um Tempra azul-escuro.
O delegado-chefe da 15ª Subdivisão Policial de Cascavel, Aroldo Davidson, disse ontem que há muitas dúvidas no caso. Uma delas é sobre o paradeiro dos revólveres dos patrulheiros. No posto policial de Lindoeste, onde atuavam os policiais, havia a informação, pouco após o episódio, que os três atacantes ordenaram que jogassem as armas ao lado da pista. Os revólveres teriam sido recuperadas mais tarde.
O delegado Davidson, porém, afirma que ‘‘a mim foi relatado, no próprio local, que as armas foram levadas pelos três homens’’. Ele comentou ainda que os policiais disseram não ter conseguido identificar a placa do Tempra. ‘‘Isso é estranho, pois são experientes neste tipo de observação e tiveram muito tempo para isso’’, ressaltou.
Segundo informações da Polícia Rodoviária, para dominar os patrulheiros, os atacantes teriam encostado uma pistola na cabeça de um deles. Depois, submeteram os policiais a humilhações, algemando-os – segundo o delegado – e obrigando-os a sentar no banco traseiro do carro oficial. Os três homens teriam dito que estavam dando uma ‘‘lição’’ aos patrulheiros, para que não parassem ‘‘qualquer um’’ na rodovia. Mas o delegado considera inconsistente a possibilidade da lição e especula que é provável que houvesse ‘‘drogas ou outras armas’’ no Tempra.
O Tempra tomou a direção sudoeste. A Folha tentou obter versões do comando regional da Polícia Rodoviária, em Cascavel, mas o plantonista informou que apenas o comandante, o capitão José Carlos Augusto Pinto, poderia falar. Ele não foi localizado. No posto de Lindoeste também não havia oficial ou graduado autorizado a falar. A PMR não forneceu os nomes dos patrulheiros, alegando tratar-se de uma questão ‘‘de segurança’’.

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