Polícia apura se PM reagiu a assalto
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terça-feira, 28 de maio de 2002
Telma Elorza e Luciano AugustoReportagem Local 
A Polícia Civil de Londrina ainda não tem informações que possam levar à prisão dos homens que tentaram roubar malotes bancários que estavam em Gol de uma empresa transportadora, na tarde de anteontem, no centro da cidade. No assalto, o aposentado Manoel Carlos, 83 anos, morreu e duas pessoas ficaram feridas.
Segundo o delegado-operacional da 10ª Subdivisão Policial (SDP), Márcio Vinícius Amaro, a novidade é que duas motos podem ter sido utilizadas no crime. Testemunhas haviam afirmado antes que apenas dois motoqueiros, em uma moto Honda de cor escura, teriam abordado o Gol, que prestava serviços para uma agência bancária.
De acordo com o delegado, o policial militar Celso Amauri Alves, que estava no Gol e foi ferido na ação, entregou ao comando do 5º Batalhão da PM (BPM) o revólver calibre 38 de sua propriedade. A arma estava com ele no momento do assalto e foi repassada à delegada do 1º Distrito Policial, Waldete Testoni, responsável pelo inquérito. O revólver, os projéteis recolhidos no local do crime e mais o que foi retirado do corpo do aposentado, serão levados para exame de balística, em Curitiba.
De acordo com Amaro, testemunhas teriam afirmado que viram o policial reagir ao assalto. O motorista do Gol, Claudinei Aparecido da Cunha, foi ouvido rapidamente na noite de segunda-feira, mas não acrescentou muitos detalhes sobre a ação dos marginais.
A tentativa de assalto ocorreu por volta das 17 horas de anteontem, no cruzamento da Rua Benjamin Constant com Avenida São Paulo. Os assaltantes fecharam o Gol, que aguardava a abertura do semáforo. O policial teria reagido e começado o tiroteio, que resultou em ferimentos no PM e na vendedora de cachorro-quente Adriane Morástico, 24 anos, e na morte do aposentado. Segundo a polícia, o Gol só transportava papéis e documentos do banco.
Segundo Amaro, a perícia realizada no Gol, ontem de manhã, apontou que três tiros acertaram o veículo: um no capô, um na lateral direita e um no banco traseiro. Ele disse que o último pode ter passado a milímetros do pescoço do policial. Eu imagino que, ao levar o tiro na mão, ele tenha caído de lado. Isso, com certeza, salvou sua vida, explicou. Um projétil 9 mm foi retirado do banco. Cápsulas de pistola calibre 380 foram recolhidas no local do crime. Segundo o delegado, foram efetuados no mínimo seis disparos.
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Rubens Guimarães, disse ontem que será instaurado um procedimento administrativo para apurar se o policial reagiu ou não à ação dos marginais. Precisamos saber se houve ou não transgressão disciplinar, reforçou. Ele lembrou que, segundo a legislação, um policial militar não pode ter outro vínculo empregatício.
Conforme o comandante, o policial assume a responsabilidade quando exerce outra função em seu período de folga. Guimarães não soube precisar quantos policiais fazem os chamados bicos no período de descanso.


