A Polícia Civil de Maringá abriu inquérito para investigar a morte do aposentado João Batista de Almeida, vítima de uma injeção aplicada por um balconista de farmácia. Segundo versão da família de Almeida, no último dia 9 de janeiro o aposentado foi até uma das lojas da Farmácia ‘‘Nossa’’, no centro da cidade, para comprar um medicamente e fazer um curativo em uma ferida na perna. No local, de acordo com a denúncia, o balconista Adilson Pitareli teria aplicado uma injeção de ‘‘rifocina’’, causando choque anafilático no cliente.
Imediatamente os funcionários da farmácia encaminharam o aposentado à Santa Casa, onde foi internado na UTI. Cinco dias depois, no dia 14 de janeiro, Almeida morreu. No atestado de óbito consta que a morte foi provocada por ‘‘choque cardiogênico, insuficiência respiratória aguda, vasculopatia feriférica e choque anafilático’’. A família não se conformou com a morte e apresentou denúncia criminal contra os donos da farmácia, Laura Odili Calvo e Fernando Alves Luna, o balconista Adilson Pitareli e os farmacêuticos responsáveis, Rogério Freitas de Jesus e Bruno Saldanha Baldochi.
A denúncia foi apresentada também ao Conselho Regional de Farmácia (CRF). Os filhos de Almeida alegam no processo que os farmacêuticos têm amplo conhecimento da proibição de ministrar medicamentos injetáveis sem a devida receita. Para Valdecir de Almeida, filho da vítima, o balconista Pitareli não poderia aplicar a injeção e os donos da farmácia devem ser responsabilizados.
A família do aposentado reuniu ampla documentação para narrar o fato, inclusive as fichas da evolução do quadro clínico de Almeida na UTI. A Folha tentou ouvir o CRF, mas a informação é que o caso está sendo analisado pelo conselho de ética do órgão, que ainda não tem um parecer.
O advogado da farmácia, Moisés Zanardi, diz que a vítima era cliente da loja e que já havia tomado outras vezes a mesma medicação ‘‘com receita’’. ‘‘Não tem como falar se houve culpa ou dolo agora porque o caso está sendo investigado’’, alerta. Segundo Zanardi, por enquanto não existem provas que o medicamento matou Almeida ou que não existia a receita. A polícia ouviu os dois farmacêuticos e aguarda o cumprimento de precatória para ouvir Pitareli, que hoje mora em Curitiba.

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