Curitiba - A Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública está investigando se o policial militar Rodrigo Feijó da Costa, o ex-garçom Maycon Sad de Souza, ambos de 24 anos, e o vendedor Oclair Gonçalves, de 25 anos, têm ligação com três pessoas presas há dois anos. Costa, Souza e Gonçalvez foram presos na semana passada, acusados de comercializarem CDs com imagens pornográficas envolvendo crianças. O mesmo crime, previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente, levou o técnico em informática Renato Eduardo Szymczac, 45 anos, Sandro Roberto Grochentz, 36 anos, e Allan Nakad, de 24 anos, à prisão, em março de 2000.
O delegado Guaraci Joarez Abreu, que investiga o caso mais recente, disse que vai comparar algumas imagens apreendidas, telefones e nomes de pessoas para saber se há uma ligação entre as duas situações. ‘‘A ocorrência é a mesma. As pessoas copiavam em CDs imagens obscenas envolvendo crianças e os revendiam’’, explicou o delegado. Na semana passada, cerca de 30 mil fotografias foram encontradas. Há dois anos, foram apreendidas 24 mil fotos de crianças em cenas de sexo.
O caso estava sendo investigado pelo Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride). O delegado titular do Sicride, Harry Carlos Herbert, disse ontem que não descarta a possibilidade da existência de uma rede de pedofilia no Estado. ‘‘Mas apesar da modalidade ser idêntica, ainda não vi relações nos dois casos’’, salientou.
Herbert informou que o Sicride está apenas fornecendo dados para a Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública, mas que não vai tomar parte nas investigações. ‘‘O caso está sendo muito bem conduzido’’, avaliou. Segundo o delegado do Sicride, o órgão só vai acompanhar os inquéritos se for comprovado se algumas das fotografias apreendidas na semana passada foram tiradas de crianças desaparecidas. O delegado informou ainda que o Sicride faz uma investigação apurada quando uma criança desaparecida é encontrada, para saber se ela não foi molestada sexualmente.
Um caso semelhante foi denunciado a Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública na última quarta-feira, quando uma mãe moradora em Canoas (RS) disse ter encontrado fotos obscenas da filha menor de idade na internet, semanas depois dela ter desaparecido por alguns dias. A mãe da menina prometeu mandar informações que podem comprovar se as fotos estão entre as apreendidas a semana passada, mas a delegacia ainda não recebeu a documentação.

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