James Alberti
De Curitiba
Os agricultores João Maria Amândio Pereira, 21 anos, e José Jacir da Silva, 23 anos, negaram ser integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), embora tivessem trânsito entre os sem-terra e tenham sido presos dentro de um acampamento. Ontem eles foram apresentados à imprensa na sede do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e confessaram a autoria da chacina ocorrida na zona rural de Cruz Machado, a 40 quilômetros de União da Vitória, Sul do Estado. Durante um assalto, no dia 1º deste mês, os dois mataram cinco pessoas, entre elas duas mulheres e uma criança de 5 anos.
Iraides Pinto Ribeiro, 31 anos, preso por ajudar na fuga dos acusados, confirmou ser um dos coordenadores do acampamento Madeirit, em Inácio Martins, município vizinho a Cruz Machado. Ribeiro disse, no entanto, que não sabia que Pereira e Silva eram os autores da chacina. ‘‘Recebi para fazer uma corrida’’, disse.
Um dia depois das mortes, Ribeiro levou os acusados para a Fazenda São Luiz, em Santo Inácio, na divisa do Paraná com os estados do Mato Grosso do Sul e São Paulo. Segundo o delegado do Cope, Mário Ramos, as famílias dos trabalhadores são integrantes do MST. Um deles, José da Silva, disse já ter sido assentado, mas vendeu a terra há cerca de dois anos. ‘‘Mas não sou mais um sem-terra. Eles nunca mais me dariam terra de novo’’, afirmou. Embora tenha vivido dos 7 aos 14 anos em acampamentos e ter o pai morando no acampamento Madeirit, Pereira também negou ser membro do MST.
Aparentemente tranquilos, os trabalhadores revelaram que as mortes tiveram três motivos diferentes, embora banais. O vereador José Camargo, 42 anos, o primeiro a ser morto, levou um tiro na testa depois de ter se negado, por cinco vezes, a deitar no chão do armazém. A dona do estabelecimento, Helena Krul, 65 anos, morreu em seguida porque tentou fugir. Ela foi atingida com um tiro de espingarda.
A filha de Helena, Danuta Krul, 38 anos, teria morrido porque conhecia um dos assaltantes. Ela levou um tiro nas costas quando tentava correr, após ser ameaçada de morte. Um outro disparo atingiu a cabeça do filho dela, Alexandre Krul, 5 anos. A última vítima, Antonio Vizinhevski, 49 anos, era um cliente do armazém e havia sido visto duas vezes por João Pereira.

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