A Polícia Civil de Cascavel apresentou ontem à Imprensa o carpinteiro Altair Rodrigues de Farias, 29 anos, pai de três filhos, que relatou com detalhes os atos de barbárie que praticou, culminando com o estrangulamento da menina Maiara da Silva, 8 anos, no dia 27 de março. Ao ser apresentado, Altair tremia bastante e mal conseguia articular frases. No dia do crime, ele estava completamente bêbado (segundo afirmou), assim como no final da tarde de sexta-feira, quando foi detido ainda como suspeito. A prisão foi decretada no final da tarde de sábado, depois da investigação e interrogatório.
O juiz Rosaldo Pacagnan, que decretou a prisão, disse que o crime ‘‘abalou a ordem pública, deixando a sociedade até certo ponto incrédula de onde pode chegar a perversidade humana’’. Maiara da Silva era filha do pintor José Roberto da Silva, 31 anos, e da dona de casa Maria de Lourdes da Silva, 38, que moravam em um casebre no Jardim Colméia (zona norte). No final da tarde do dia 27 a menina havia saído de casa para ir ao aniversário de uma amiguinha. No caminho, encontrou Altair Rodrigues de Farias, que empurrava uma bicicleta - ele estava embriagado, por isso não conseguia montar o veículo.
Dizendo que lhe mostraria brinquedos, o carpinteiro levou a garota para os fundos da sede campestre da Associação dos Funcionários da Receita Estadual, no Jardim Colméia. No sanitário, iniciou os atos de barbárie tirando o calção de Maiara para estuprá-la, mas não conseguiu ereção, por causa da embriaguez. Altair deu versões contraditórias, dizendo que perfurou o hímen da menina com o dedo, e em seguida negou tudo. Maiara desmaiou, bateu a cabeça no chão, e ao despertar começou a gritar. Para calá-la, Altair enfiou um sabonete em sua boca - que ficou enroscado na garganta.
Depois, estrangulou-a com as mãos, retirou o tubo de plástico de um porta-toalhas e enfiou-o na vagina da garota. Toda a violência durou cerca de meia hora. O corpo de Maiara foi encontrado na manhã de segunda-feira pelo caseiro, porque no final de semana não houve visitantes no local. A Polícia chegou a produzir um retrato falado do criminoso, com base em relatos de pessoas que disseram tê-lo visto com a menina. A descrição, porém, não confere com os traços de Altair. Ele só foi preso porque, na sexta-feira, ligou para o radialista Celsuir Veronese, da Rádio Colméia, pedindo para conversar pessoalmente.
A emissora avisou a Polícia sobre o local do encontro no bairro Cataratas, na zona leste, ocorrendo então a detenção. Altair estava completamente bêbado, por isso só foi interrogado sábado. À tarde, o caso foi dado por elucidado, ocorrendo então a decretação da prisão e a divulgação da identidade do criminoso. Até então, a Polícia havia trabalhado em sigilo. O pedreiro Adair Cordeiro, 27 anos, esteve ontem na 15ª Subdivisão Policial (SDP), fazendo o reconhecimento de Altair. No dia 27, Adair o viu com a bicicleta e a menina, mas não procurou a Polícia depois de saber do crime, ‘‘porque não tinha certeza’’.
‘‘Ele parecia não estar muito bêbado quando o vi indo para os lados da associação com a menina e voltando uma meia hora depois’’, disse Adair Cordeiro. Altair Rodrigues de Farias é pai de duas meninas, de 3 meses e de 5 anos, e de um menino de 10 anos, e vivia separado deles e da mulher, que moram em Santa Catarina. Ele não conhecia Maiara. Altair disse que, naquele dia, havia em seu corpo ‘‘um homem e um demônio’’. Com o passar do tempo, refletiu sobre o que fez, e por isso procurou o radialista ‘‘para desabafar’’, mas depois pretendia ir embora, ‘‘talvez para o Paraguai’’.
Dias depois do crime, os pais de Maiara deixaram o casebre onde moravam, mudando-se para outro bairro. Na casa onde agora moram, ontem foi encontrada apenas Maria de Lourdes da Silva e a outra filha do casal, Samara, 4 anos. Maria disse que a prisão do criminoso ‘‘não alivia a dor’’, e que não o perdoa ‘‘por nada deste mundo’’. ‘‘Acho que nem Deus perdoaria’’, disse. Segundo Maria, quem fez ‘‘esta coisa monstruosa não devia viver, porque quando sair da cadeia estará pior ainda’’. Altair Rodrigues de Farias está sendo mantido, por enquanto, em cela separada no Minipresídio, por causa da grande revolta dos demais presos.

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