Polícia apreende mil cápsulas do medo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Diego Ribeiro<BR>Equipe da Folha 
Curitiba - Um laboratório caseiro para produzir uma nova droga sintética foi encontrado e desmontado por policiais do Núcleo da Região Metropolitana de Curitiba, órgão ligado a Divisão de Narcóticos da Polícia Civil, no bairro Alto, na tarde de segunda-feira. A ''cápsula do medo'', como era conhecida a nova droga, por causar ao usuário, em médio prazo, sintomas de esquizofrenia, como paranoia e sensação de perseguição. O dono do laboratório foi preso, assim como uma mulher e outro rapaz, que, segundo a polícia, estariam interessados em distribuir a droga. Foram apreendidas 1.050 cápsulas da droga, parte de uma encomenda de três mil pílulas feita por um dos detidos.
Segundo a polícia, o jovem de 26 anos apontado como o fabricante da droga é autodidata e leu vários livros técnicos da Inglaterra para poder criar a substância. A mulher de 32 anos seria responsável pelos contatos para distribuição do entorpecente e o outro suspeito, de 29 anos, seria o distribuidor. ''Há outra pessoa financiando a distribuição e vamos continuar investigando para descobrir quem é'', contou o delegado Jairo Amódio Estorílio.
Com grau de dependência semelhante ao da cocaína e do crack, de acordo com a polícia, a ''cápsula do medo'' era vendida, normalmente, em festas rave. O público consumidor da droga é jovem, mas a polícia acredita que há usuários em todas classes sociais. ''Chegamos neles a partir de infiltrações em festas e muitos testemunhos de familiares de usuários'', explicou o delegado.
Há quatro meses investigando a nova moda nas festas raves, o delegado descobriu que os efeitos da substância a base de pseudoefedrina, precursor da anfetamina, são inibição do apetite, além de falta de sono e alucinação. Os produtos base da droga estão na lista da Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa), segundo a polícia. Segundo o delegado, apenas uma análise mais detalhada poderá dizer realmente como é a composição e seus reais efeitos. Toda droga apreendida foi encaminhada para o laboratório de toxicologia do Instituto Médico Legal (IML).
Segundo o delegado, cada cápsula era vendida pelo fabricante a R$ 10 e chegava nas festas custando R$ 30. Além das drogas, foi apreendido um veículo modelo Ômega e uma motocicleta, que seriam parte do pagamento pela droga.


