Polícia apreende cobre em ferro-velho
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quarta-feira, 15 de setembro de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
A Polícia Civil de Londrina apreendeu ontem, em um ferro-velho da Vila Nova (Área Central), centenas de quilos de materiais de cobre, bronze e alumínio supostamente furtados das redes de várias empresas como Copel, Sercomtel e Sanepar, além de lápides e outros objetos de cemitérios. No depósito, os policiais ainda descobriram quatro funcionários em regime de cárcere privado.
A empresa, localizada na Rua Tefé nº 287, não ostentava qualquer identificação. Segundo o investigador Adriano Rogério Perez, ao chegar ao local, pela manhã, a polícia teve que arrombar o portão porque os empregados ficavam trancados dentro do depósito sem as chaves. ''Pelo que apuramos, os funcionários trabalhavam durante dia e noite, sem poder sair ou telefonar, porque o único aparelho que havia ali não funcionava. Se acontecesse um acidente, eles nem poderiam pedir socorro'', afirmou.
Foram encontradas grandes quantidades de cabos de fiação elétrica que, de acordo com Perez, a maior parte teria sido furtada em loteamentos novos da cidade. Também havia cabos supostamente furtados de companhias telefônicas como Sercomtel e Brasil Telecom, além de hidrantes. ''Grande parte desse material tem a identificação das empresas, com número de lote e data'', comentou o investigador.
O proprietário da empresa não foi encontrado no local. Jair Rufino da Silva se apresentou como advogado da empresa e a identificou como Cobrão Comércio de Ferro Velho Ltda. Segundo Silva, o dono teria um outro ferro-velho no mesmo bairro. De acordo com a polícia, contra essa segunda empresa já pesariam inquéritos por crime de receptação.
Silva declarou que o depósito possui notas fiscais de todo o material encontrado pela polícia. ''As próprias empresas venderam essa sucata'', alegou. O advogado também desmentiu a denúncia de que os funcionários eram mantidos trancados no local.
Na sede da 10 Subdivisão Policial (SDP), a polícia apresentou dezenas de objetos furtados de túmulos e também apreendidos no ferro-velho. Entre eles, mais de 100 lápides com inscrições e retratos de pessoas falecidas. ''Pedimos às pessoas cujos túmulos de familiares foram alvo de furtos que venham à delegacia identificar os objetos apreendidos'', avisou o delegado-operacional da 10 SDP, Manoel Ângelo Pelisson.
De acordo com o delegado, o proprietário do ferro-velho será autuado por crime de receptação qualificada, cuja pena varia de dois a oito de prisão. ''Pior do que quem furta esses materiais é quem recebe, porque incentiva e mantém os ladrões'', observou. Segundo Pelisson, o Ministério do Trabalho deverá apurar a situação em que trabalhavam os quatro funcionários no depósito. ''Eram condições insalubres. O local era abafado e com pouco ar, e os empregados não utilizavam máscaras'', relatou.
Dois desses funcionários, que preferiram não se identificar, contaram à Folha que trabalhavam para uma empresa da Rua Ivaí há mais de seis meses, e que foram enviados para trabalhar no ferro-velho da Rua Tefé há apenas 15 dias. César (nome fictício), 38 anos, pai de três filhos, disse que aceitou o trabalho por necessidade, mesmo insatisfeito com as condições.
''Ficávamos trabalhando lá dentro por oito horas, sem a chave do depósito. O telefone não funcionava há uma semana. Agentes da dengue estiveram várias vezes lá e disseram que aquilo estava errado'', contou. Os empregados disseram que a sucata chegava em horários em que eles não estavam lá, possivelmente à noite. ''Agora não quero mais isso, vou procurar outro emprego. Sou pai de família, nunca passei por uma coisa dessas'', comentou César, na delegacia.


