Polícia apreende arsenal em forro de igreja
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terça-feira, 16 de outubro de 2007
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Desde o pacto de cessar fogo firmado há cerca de um ano e meio entre gangues rivais da Zona Oeste, as forças policiais de Londrina não realizavam flagrantes de vulto na região. Na tarde de ontem, porém, uma denúncia anônima levou a Polícia Civil até o prédio de uma igreja evangélica no Jardim Nossa Senhora da Paz (mais conhecida como favela da Bratac), onde foram apreendidas diversas armas de grosso calibre, munição, coletes balísticos, carregadores e droga. Tudo isso estava escondido no forro do imóvel.
O delegado-operacional da 10 Subdivisão Policial, Manoel Pelisson, informou que o denunciante apontou que marginais teriam escondido grande quantidade de armas, munição e drogas na sede da igreja localizada na rua Nossa Senhora da Guia. Na tarde de ontem, o delegado e equipes de investigadores mais viaturas do Pelotão de Choque da Polícia Militar rumaram para o endereço com o objetivo de checar a denúncia e acabaram encontrando um respeitável arsenal no forro da igreja evangélica. O pastor responsável foi procurado pela FOLHA mas não foi localizado.
No esconderijo, os policiais apreenderam duas escopetas calibre 12, dois fuzis 762 de uso restrito do exército, um revólver calibre 38, quatro coletes à prova de balas sem identificação, oito carregadores de pistolas, aproximadamente 300 unidades de munições de diversos calibres e mais cerca de 300 gramas de crack.
Como o acesso mais fácil ao local era por uma casa situada no terreno dos fundos, na rua Seringueiras, três adolescentes - dois garotos e uma garota - que estavam no imóvel foram detidos e encaminhados para prestarem maiores esclarecimentos na delegacia. Eles continuavam sendo ouvidos até o fechamento desta edição. A dona da casa também foi levada mas não deveria permanecer presa. ''Eu não sabia de nada disso'', assegurou a mulher rapidamente.
O delegado ressaltou que todo o arsenal mais a droga pertenceriam a alguma quadrilha de assaltantes baseada no bairro. Como entre os moradores impera a lei do silêncio, ele pediu mais uma vez a colaboração das pessoas de bem. ''Sempre que há apreensão de ilícitos no bairro é difícil provar a propriedade mas contamos com a boa alma dos cidadãos para que ajudem no trabalho da polícia'', reforçou Pelisson.
A Folha apurou que quadrilhas de traficantes e assaltantes que atuam na região costumam manter certa quantidade de armas para serem alugadas a outros grupos ou pessoas cometerem crimes. Até o ano passado, a Bratac junto com a rua Pantanal e o Jardim Leste-Oeste compunham o triângulo mais violento de Londrina, por causa das disputas e homicídios envolvendo gangues rivais destas localidades. Na metade de 2006, porém, um acordo entre os grupos pôs fim ao conflito mas as armas não foram depostas e ilícitos, como o tráfico de drogas por exemplo, continuam sendo praticados na região.


