Polícia apreende 450 galos de briga
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quinta-feira, 26 de julho de 2012
Micaela Orikasa <br> Reportagem Local 
Cambé - Uma denúncia anônima levou a Polícia Ambiental de Londrina a uma chácara no Parque Maracanã, em Cambé (Norte), ontem de manhã. No local, foram encontrados 450 galos, que eram criados e treinados para rinha e cerca de 500 quilos de ração.
No momento do flagrante, apenas o caseiro estava no local. ''Eu só venho para dar ração e água. E pelo que sei, esses galos são vendidos para feirantes ou diretamente para pessoas que vêm até aqui'', afirmou o homem, que disse trabalhar há seis anos na chácara.
Os animais eram mantidos em gaiolas ao ar livre, poleiros e em caixotes de madeira com apenas um buraco para servir comida e água. Apesar da mistura de raças, a maioria é de grande porte, com forte musculatura. Algumas aves apresentavam sinais de maus-tratos com vários ferimentos.
No local havia uma pequena arena com visíveis marcas de sangue, onde possivelmente os animais eram treinados. Também foram apreendidas biqueiras e protetores de escoras para que os galos não se ferissem durante os treinos, além de seringas e medicamentos. A maioria era de uso veterinário em animais de porte grande, mas também havia remédios para curativos, contra febre e dor e anabolizantes.
Alguns cadernos continham anotações sobre peso e até habilidades dos animais, como a descrição ''bate pouco e bate na barriga e pescoço''. Também foram encontrados manuais de técnicas de rinha.
Segundo o capitão Ricardo Eguedis, comandante da Polícia Ambiental, cerca de 160 animais já estavam prontos para atuar em rinhas. ''Temos um complexo sistema de organização no local. Provavelmente, se trata de uma associação que cria e treina esses animais'', afirma.
Identificação
A Polícia Civil foi acionada para ajudar na identificação dos responsáveis e demais envolvidos e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para proceder quanto as questões administrativas, como, por exemplo, o que será feito dessas aves. Por enquanto, o local ficará lacrado.
De acordo com um fiscal do IAP, a infração de expor animais domésticos a duelos esportivos, provocando maus-tratos e ferimentos aos mesmos, pode variar de R$ 500 a R$ 3 mil. Quanto à punição criminal, os responsáveis podem pegar de 3 meses a 1 ano de detenção.
A prática que consiste na luta de galos e envolve apostas é proibida no país. Através de treinos e estimulantes, as aves são condicionadas a brigar até morrer.
Dentro da rinha (termo também usado para designar o local onde acontecem esses combates), os galos são equipados com lâminas de metal na altura das esporas e lutam diante dos apostadores. O animal que correr da briga, cair por nocaute ou quebrar a pata ou asa é considerado perdedor.


