Polícia alerta sobre estelionatários
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 08 de outubro de 2001
Betânia Rodrigues<br> De Londrin 
A 'dor de cabeça' causada pela perda de um documento vai além da retirada da segunda via. Ele pode ser usado em atos criminosos como, por exemplo, abertura de empresas fantasmas, contas bancárias, emissão de cheques, licitações fraudulentas, etc.
Há 20 dias, a Polícia Civil de Colorado (85 km ao norte de Maringá) prendeu o estelionatário Dorilson Guedes da Silva, 47 anos, que preparava um golpe contra os bancos e o comércio local. Silva é foragido do Instituto Penal Agrícola de Bauru (SP) e desde junho estava morando em Santa Inês, cidade próxima a Colorado. A polícia encontrou com ele 31 talões de cheques, 28 cartões de crédito, identidades falsas, contratos sociais de empresas paulistas, escrituras de terrenos, R$ 450,00 em notas falsas de R$ 50,00 e uma cédula de US$ 100.
Segundo o delegado de Colorado, Deoclécio Detros, ele se apresentava como gerente da Agrosul (Importação e Exportação de Filé e Couro de Tilápia) com sede em São Paulo (SP) e já havia aplicado um golpe de R$ 7 mil em um produtor de peixes de Lobato, município que também fica na região de Colorado.
''Se a pessoa não quiser correr esse tipo de risco pode usar uma cópia autenticada'', sugeriu o investigador Miguel Domingos da Silva, da 10ª Subdivisão Policial de Londrina. Em caso de furto, roubo ou perda de documentos, a vítima deve registrar o fato na delegacia para obter um comprovante que o ajude a evitar problemas futuros.
Em Londrina, a agência central dos Correios recebe uma média de 30 documentos e devolve de quatro a cinco por dia. No Estado, a proporção é de 10 mil para 3 mil/mês. De acordo com o superintendente de operações Lourival Silvério, a maioria das pessoas que procura o Serviço de Perdidos e Achados não encontra o que procura porque, em geral, foram roubadas ou furtadas. ''Apesar da constante divulgação do serviço, muita gente esquece que ele existe'', acrescentou.
Todo documento entregue aos Correios permanece na agência por 15 dias. Depois desse prazo, ele é devolvido ao órgão emissor. O RG volta para o Instituto de Identificação, o título de eleitor para o cartório, a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) para a Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) e o Certificado de Pessoa Física (CPF) para a Receita Federal, apesar da emissão ser tarefa da Caixa Econômica Federal (CEF) e Banco do Brasil.
O Posto Central de Identificação em Londrina, recebe cerca de 350 pedidos de segunda via por mês. De acordo com o chefe da autarquia, Celso Bezerra de Lima, 60% dos requisitantes são mulheres. ''Algumas vezes, acontece do documento ter sido destruído pela máquina de lavar ou rasgado acidentalmente.'' Para obtê-lo novamente, a pessoa deve apresentar a certidão de nascimento ou casamento, duas fotos padrão preto-e-branco e comprovar o pagamento de uma taxa de R$ 10,35 no banco. A entrega leva cerca de 40 dias. (Colaborou Marta Medeiros/Maringá)


