Mireilli Baroni
De Santo Antônio da Platina
Especial para a Folha
O delegado de Ibaiti (94 km ao sul de Jacarezinho), Ítalo César Sega, deve aguardar os resultados dos exames feitos pelo Instituto Médico-Legal (IML) de Curitiba (conjunção carnal, toxicologia, cadavérico e de balística) para decretar a prisão preventiva do vereador e professor de educação física, Haroldo Caetano, 48 anos, suspeito de ter matado na madrugada de anteontem a adolescente Isadora dos Santos Silva, 15 anos. A menor foi encontrada com um tiro na cabeça, provavelmente disparado de um revólver calibre 32.
Como ainda não foi afastada completamente a hipótese de suicídio, o delegado decidiu não lavrar o flagrante contra o vereador (que na noite de anteontem se negou a prestar depoimento depois de se apresentar com seu advogado). O delegado também descartou a decretação da prisão temporária (cujo prazo se esgota em cinco dias), já que o resultado dos exames só será conhecido em 15 dias.
‘‘Se o prendesse, seria uma arbitrariedade. Ele avisou imediatamente a polícia do fato, dizendo que ela atirou. Tenho que considerar a primeira hipótese até prova ao contrário. Em dúvida, pró-réu’’, justificou. Sega disse que mesmo no caso de suicídio, o vereador responderá por homicídio culposo, porte ilegal de arma, porte de droga e corrupção de menor.
De acordo com o delegado, Caetano não fugiu depois de ajudar a socorrer a vítima, que foi levada ao hospital, mas chegou sem vida. ‘‘Ele disse que combinou com os policiais de dar os primeiros esclarecimentos no hospital mas foi para a casa de sua mãe, permanecendo por lá em estado de choque’’, relata o delegado.
Isadora foi sepultada na manhã de ontem. Seus colegas de escola foram liberados das aulas e compareceram a cerimônia, que teve clima tenso, com ameaças dos familiares de se vingar de Caetano.
Uma das presentes, a menor C.C.G., 15, estudante da Escola Estadual Aldo Dallago, onde Isadora cursava o 1ª série do ensino médio e Caetano era professor, disse à Folha que havia vários comentários que ambos fumavam maconha, o que teria dado início ao romance.
Segundo o delegado, a mãe da estudante sabia que o relacionamento existia há dois meses (eles namoravam há seis). O vereador é casado e tem três filhas. A casa que foi palco do crime é alugada por ele, provavelmente para encontros amorosos e consumo de drogas. No local foram encontrados pontas de cigarro de maconha.