Polícia aguarda laudos do IML e Criminalística
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segunda-feira, 21 de fevereiro de 2005
Camilla Rigi<br>Reportagem Local 
A Polícia Civil de Londrina abriu um Procedimento Especial de Apuração de Ato Infracional para averiguar as circunstâncias do homicídio do adolescente Diego Henrique Marra Sales, de 15 anos, ocorrido no início da noite do último sábado no Ciaadi. O rapaz teria sido asfixiado com um cobertor pelos companheiros de cela.
Segundo o delegado responsável pela Delegacia do Adolescente, Antônio do Carmo, as testemunhas já foram ouvidas e agora ele aguarda os laudos do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística para fechar o procedimento. O prazo para entrega do resultado da investigação vence no próximo dia 8 de março.
Enquanto isso, uma sindicância interna foi aberta no Ciaadi para apurar se houve negligência de algum funcionário. ''Não sabemos quanto tempo isto pode demorar. Tivemos uma sindicância que foi concluída em dois anos'', contou a diretora do Ciaadi, Odila Santos Cabral.
Informações da promotoria da Vara da Infância e Juventude revelam que o garoto estaria detido desde o dia 7 de fevereiro por cometer um ato infracional. ''Não me lembro bem o que foi. Acredito que foi uma tentativa de roubo para sustentar o vício'', informou a promotora Édina Maria Silva de Paula. A informação desmente a versão do Conselho Tutelar de que Diego estaria em uma casa-abrigo da prefeitura e teria sido transferido para o Ciaadi após uma briga, que danificou a estrutura do abrigo.
A secretária municipal de Assistência Social, Maria Luiza Rizotti, garantiu que a última passagem do adolescente pela casa-abrigo foi em 3 de fevereiro, porém Diego teria fugido dias depois. ''Desde 2002 o Diego era atendido pelos programas de assistência aos moradores de rua da prefeitura. Ele passou por vários tratametos para viciados em drogas, mas na maioria das vezes fugia do local'', contou a secretária.
Maria Luiza confirmou que houve uma confusão em uma das casas-abrigo da prefeitura na última quinta-feira, mas garantiu que Diego não estava lá. Os adolescentes que estavam no local foram transferidos para outro abrigo e a casa foi fechada para reforma. ''Apenas dois meninos que tinham cometido atos infracionais foram levados para o Ciaadi'', relatou a secretária.
De acordo com a diretora da instituição, no horário do crime, já no plantão noturno, apenas dois educadores estavam no centro para cuidar de 56 internos. ''Se eles só fizessem a ronda demorariam apenas 10 minutos para circular por todo o prédio, mas como eles têm que atender as necessidades do adolescentes, como conversar com os mais agitados e servir chá, o trajeto pode demorar'', detalhou.
A diretora do Ciaadi relatou que no sábado o educador de plantão chegou a comentar com uma colega que estava com medo do silêncio daquele dia.
A diretora do Ciaadi disse que medidas como a instalação de câmeras internas nas celas, elevação do muro do Centro para dificultar o acesso ao local devem ser tomadas.
''A presidente do Iasp (Instituto de Ação Social do Paraná Thelma de Oliveira) me disse que já havia uma licitação para as câmeras, mas que empresa responsável teria prazo até junho para instalá-las'', disse Odila. A diretora da instituição garantiu que o Iasp tentaria agilizar as obras.


