Jacarezinho - A Polícia Civil de Jacarezinho instaurou anteontem inquérito para apurar um possível erro médico no caso de João Antonio Gonçalves, um bebê que nasceu morto na Santa Casa de Misericórdia. A família da mãe do bebê acredita que a demora na realização do parto tenha acarretado a morte dele. A empregada doméstica Ana Lúcia Coutinho Gonçalves, 40 anos, entrou em trabalho de parto no domingo, por volta das 19h30, mas, segundo a família, os procedimentos de parto só foram iniciados à 1 hora do dia seguinte.
O inquérito foi instaurado a pedido do promotor Paulo Galotti Bonavides, que recebeu as reclamações de uma parente da gestante. Ele solicitou ainda a realização de necropsia. Segundo ele, inquérito vai apurar se ouve erro médico durante o parto. A necropsia foi realizada, ontem, pelo Instituto Médico Legal (IML), mas o resultado ainda não foi divulgado.
A família acusa o médico Emmanuel Gonçalves Vieira. Segundo o cunhado de Ana Lucia, Renato Fontana, nos exames realizados na sexta-feira não havia problemas com o feto. Ele disse que Vieira atendeu a gestante por volta das 19h30, mas se recusou a realizar o parto porque teria uma viagem marcada. O problema teria ocorrido, segundo Fontana, devido à demora para encontrar outro médico. O parto teve início à 1 hora e foi concluído às 5h30min.
O médico Sérgio Eduardo Emygdio de Faria iniciou o atendimento somente no início da madrugada de segunda, de acordo com os familiares da vítima. ‘‘Acreditamos que os médicos poderiam ter realizado uma cesariana para não comprometer o feto’’, disse.
Vieira é presidente da Santa Casa e negou as acusações. Ele confirmou que não realizou o parto por causa de uma viagem, mas assegurou que a paciente foi tratada adequadamente. Segundo ele, Ana Lucia esteve internada durante toda a semana anterior com sintomas de pré-eclampsia (complicações na gravidez) e, por isso, recebeu acompanhamento médico. Ele disse que a demora na realização do parto não prejudicou-a e que a realização de uma cirurgia cesariana poderia comprometer a vida da gestante.
Faria confirmou as informações. Segundo ele, devido à idade da paciente a gravidez era considerada de alto risco. Ele disse que a demora não comprometeu o feto e que a cesariana foi descartada porque o quadro clínico evoluiu naturalmente para o parto normal. ‘‘A realização de cesariana aumentaria a probabilidade de óbito materno.’’

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