Polícia abre caixa enviada a pastor
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quarta-feira, 25 de julho de 2001
Maranúbia Barbosa De Londrina 
Segundo o Instituto de Criminalística, a confirmação oficial de que o material encontrado é maconha e cocaína só poderá ser feita após exame de toxicologia
O perito do Instituto de Criminalística, Marco Antônio Otta informou que vai preparar um laudo para ser encaminhado ao delegado Marcelo Sakuma, responsável pelas investigações sobre o pacote entregue pelos Correios ao pastor da Igreja Pentecostal Só o Senhor é Deus, Elias Marciano de Londrina.
Otta disse que, apesar das evidências, não pode afirmar ainda que seja maconha e cocaína o que foi encontrado na caixa, aberta ontem de manhã, no Instituto de Criminalística, na presença de vários membros da Igreja e do advogado de Marciano. A confirmação oficial será feita depois de exames do laboratório de toxicologia. Também serão coletadas impressões digitais no material encontrado dentro da caixa.
A droga - um tijolo de maconha de cerca de 150 gramas, 25 trouxinhas de cocaína e mais uma embalagem pequena da droga - recheava o interior de uma bíblia e foi enviada por sedex para o escritório da Rádio Difusora, de propriedade da Igreja, no sábado passado, vindas de Foz do Iguaçu, em nome de Geraldo Rodrigues dos Santos. Ao receber a encomenda Marciano chamou imediatamente a Polícia Civil. Ele suspeita que droga tenha sido enviada pelo ex-presidente da Igreja, Alécio Miranda Leal.
Dentro da caixa, um bilhete escrito à mão endereçado a Marciano, diz que a mesma quantia foi enviada para Maringá. O bilhete é assinado por presbítero Renato. Uma caixa semelhante foi entregue no último sábado em Maringá para o atual presidente da Igreja, Darci Rui Amorim. A caixa continha 265 gramas de maconha e 16 trouxinhas de cocaína, além de um bilhete informando que a encomenda também havia sido despachada para Londrina. Membros da Igreja de Maringá alertaram Marciano, que ao receber a remessa postal chamou a polícia.
Segundo o advogado de Marciano, Oliveira Martins dos Reis, a letra nos dois bilhetes é muito parecida com a da esposa de Miranda Leal, Saline Atie Ramos. O advogado tem cópias de cartas de Saline remetidas de Londres, para onde ela e Miranda Leal viajaram após ele ter pregado o fim do mundo e a salvação de fiéis no final de 1999. Foi em Londres que ele renunciou à presidência da Igreja.
O pastor Elias Marciano disse que teve muita sorte por ter avisado a polícia antes da droga ser encontrada no escritório da rádio. Deus cuidou de nós, afirmou. Agentes da Polícia Federal, possivelmente avisados pelo remetente, foram até a agência dos Correios tentar interceptar a caixa, que foi entregue antes. Marciano disse que as ameaças que vinha sofrendo até sábado passado pararam estranhamente. Equipamentos da Rádio Difusora instalados em uma chácara foram incendiados do dia 21 de junho.
Com cerca de 1 milhão de fiéis no Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai, a Igreja Só o Senhor é Deus foi fundada há 27 anos por Miranda Leal. Segundo Marciano, Miranda seria o único beneficiado se a atual diretoria fosse incriminada.
O missionário Miranda Leal não foi localizado ontem pela Folha. Ele está morando no Rio de Janeiro, e disse anteontem a uma emissora de rádio de Maringá que estará na cidade na próxima semana, para dar esclarecimentos sobre as denúncias. Leal garante não ter nenhum envolvimento com o despacho dos pacotes com drogas para a sede da Igreja e a rádio em Londrina. Ele acha que quem pode falar sobre a droga é quem recebeu. Leal afirmou ainda que o pastor da Igreja dele em Foz do Iguaçu se chama Geraldo Vieira da Silva, e não tem nada a ver com o remetente dos pacotes, identificado como Geraldo Rodrigues.


