Maigue Gueths
De Curitiba
Em maio de 98, quando a Secretaria de Estado da Segurança Pública implantou 98 tótens policiais em diversos pontos de Curitiba, o objetivo era garantir que a população tivesse acesso rápido e fácil à polícia. Para isto, uma viatura ficaria parada permanentemente nos locais e em cada tótem foi instalado um interfone com acesso direto ao telefone de emergência da Polícia Militar, 190. Quase dois anos depois, estes monumentos de concreto com um globo de vidro em cima servem apenas para dar charme à cidade, lembrando as antigas instalações de delegacias dos filmes de gangsters. Raramente encontram-se viaturas ou policiais nos locais, que se tornaram obsoletos com o tempo, já que em grande parte deles os interfones estão estragados.
A Folha saiu ontem de manhã pela cidade para conferir o andamento deste projeto. Das 9h25 às 10h45 sete tótens foram visitados. Destes, cinco estavam abandonados, sem viatura ou policial. A ronda começou pelo tótem da Rua João Gualberto esquina com Alberto Bolliger, localizado em um local com muitas agências bancárias e lojas no bairro Juvevê. Às 9h25 o local estava abandonado, apesar dos constantes assaltos na região. ‘‘No começo eles ficavam ali, mas depois nunca mais vi ninguém’’, conta a balconista Mara Martinelli, da Iris Collor, assaltada três vezes em 99.
Às 9h45 no tótem da Rua Padre Germano Mayer com Rua XV de Novembro, uma viatura saía do local quando a reportagem chegou. O soldado Alexandre, que atenderia uma ocorrência passada pelo rádio, garantiu que costuma passar o dia parado em frente ao tótem e que só sai do local quando é chamado.
Às 9h55 nenhum policial foi encontrado no tótem da Rua Omar Sabbag, no Capanema, mas uma viatura chegou em seguida. O proprietário da Maxifarma Capanema, João Antonio dos Anjos, assaltado duas vezes na última semana, disse que a polícia só tem comparecido no local porque ele ligou reclamando após os dois assaltos.
Fabrício Navarro Martinez, da banca de revistas Jardim Botânico confirmou a informação. ‘‘Eles só dão uma passadinha, mas já saem. E o pior é que aqui é bastante perigoso. Nós já fomos assaltados três vezes, sendo duas à mão armada’’, disse, mostrando a grade de ferro instalada no teto da banca após um arrombamento noturno.
Às 10h15 ainda a Folha passou nos tótens da Rua Mariano Torres esquina com a Av. Sete de Setembro. Dez minutos depois a visita foi ao da Av. Sete de Setembro com Marechal Floriano e às 10h30 da Praça Tiradentes, na região central, e todos estavam sem policiamento.

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