O chacareiro Wladimir Poli, 20 anos, não compareceu ontem ao depoimento na 1ª Vara de Delitos de Trânsito, onde responde por homicídio doloso. Ele é acusado de dirigir bêbado e fazer roleta paulista (furar sinais vermelhos em sequencia), o que teria provocado um acidente de trânsito em 16 de maio deste ano, que matou o economista Luiz Felipe Galli, 33 anos, e o filho, Luciano Victor Galli, de 4 anos.
O advogado de Poli, Júlio Militão da Silva, pediu novo adiamento do interrogatório e teria apresentado como justificativa atestado de um médico de Colombo, Região Metropolitana de Curitiba, onde reside a família Poli. Embora seja ginecologista, o médico teria afirmado que Poli está em tratamento devido a depressão profunda. Procurado pela Folha, Militão não foi localizado.
Para o advogado que defende a família das vítimas, Alcides Bitencourt, o adiamento é uma estratégia da defesa, que estaria impedindo a prisão do chacareiro. ‘‘Não tenho dúvida disso’’, disse ele, demonstrando não acreditar na doença de Poli. ‘‘Ele está é com um profundo complexo de culpa pelo crime que cometeu, por ter dizimado uma família’’, afirmou.
O juiz da 2ª Vara de Delitos de Trânsito, Rogério Kanayana, que cassou a fiança que libertou Poli e restabeleceu a prisão em flagrante, deve decidir hoje se aceita o novo pedido de adiamento. Conforme Bitencourt, o juiz pode entender que ‘‘existem indícios de falsidade ideológica por parte do médico’’, que já havia assinado um atestado para adiar o depoimento do chacareiro no começo do mês passado. A decisão de Kanayana vai depender em muito do que vai indicar o promotor Ricardo Maranhão, que ontem iria dar um parecer sobre o novo pedido de adiamento.
Bitencourt disse que somente depois da decisão do juiz vai tomar alguma atitude em relação ao caso. ‘‘Poli não quer se apresentar para não ficar preso’’.
Na semana passada, os quatro desembargadores do Tribunal de Justiça do Paraná negaram, por unanimidade, o habeas corpus impetrado pelo advogado Júlio Militão. Apesar de ter sido preso em flagrante, o chacareiro foi liberado pelo delegado Dirceu Nascimento, da 2ª Delegacia de Trânsito, após pagar fiança de R$ 130,00. Desde então está foragido.

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