Polêmica visa criar reserva de mercado para enfermagem
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 1997
Lúcio Horta 
A polêmica criada pelo Conselho Regional de Enfermagem do Paraná (Coren-Pr) ao questionar a validade dos cursos de instrumentação cirúrgica não passa de uma maneira de promover reserva de mercado aos profissionais da área de enfermagem. A opinião é do presidente do Sindicato Nacional de Instrumentadores Cirúrgicos, Alaércio de Oliveira, também autor do livro O Ato de Degemar as Mãos. Ele está na Cidade para participar da aula inaugural do curso de instrumentação, na segunda-feira, às 20 horas, no anfiteatro da Associação Médica de Londrina.
Segundo Oliveira, esse debate só cria um clima de terror entre os alunos e não contribui em nada para o desenvolvimento da profissão. Quem participa de um curso de instrumentação recebe diploma e estará cadastrado junto ao Sindicato da categoria. Por isso não há motivo para pressão.
Entre os argumentos do Coren, está o de que a função de instrumentador é exercida pelo auxiliar de enfermagem ou seus superiores, como define a lei federal 7.498/86 que regulamenta a profissão de Enfermagem. Isso porque é necessário conhecimento do corpo humano para poder trabalhar durante uma cirurgia.
Além do mais, apontou o Coren, a profissão de instrumentador não é regulamentada no Ministério do Trabalho e por isso os cursos não teriam validade no mercado de trabalho. Por esse motivo, o Conselho pediu abertura de inquérito junto à Delegacia de Defesa do Consumidor para investigar a atuação dos cursos, depois que ex-alunos reclamaram à instituição justamente porque não conseguiram trabalho. Quando eles pediam emprego, era exigida formação na área de enfermagem.
Alaércio de Oliveira rebate esses argumentos dizendo que a profissão não só é verdadeira como também uma das mais antigas em todo o mundo. Existe desde a Idade Média, assegura. E já tem até o Dia do Instrumentador Cirúrgico. Então como é que não existe se tem até dia?
O Dia do Instrumentador Cirúrgico é 6 de maio, data em que nasceu Jean Henri Dunant. Ele é apontado como um dos mais importantes profissionais da categoria, que contribuiu na divulgação e no desenvolvimento técnico da profissão. A data foi instituída através de publicação no Diário Oficial do Paraná, em novembro do ano passado, e também transformada em lei em cidades como Curitiba, Ponta Grossa e Caicó, no Rio Grande do Norte.
O presidente do Sindicato acrescenta que o processo para a regulamentação da profissão está tramitando na Secretaria de Educação e deverá ser reconhecido através de lei específica no Congresso Nacional. E outros cursos, como o de Informática, também não são regulamentado de direito. Mas são de fato.
Sobre o argumento de que para atuar em cirurgias o profissional deveria ter conhecimento sobre o corpo humano, Oliveira explica que em momento algum o instrumentador coloca a mão no paciente. Nós não cuidamos do enfermo e nem temos essa pretensão. O que tem que se entender é que nós trabalhamos com o cirugião, e não com a enfermeira.
Entre as funções do instrumentador, Oliveira explica que é organizar os instrumentos cirúrgicos na mesa, em ordem específica; esterilizar, diminuindo risco de infecção; evitar que o instrumento fique no paciente depois de concluída cirurgia etc. O instrumentador é a primeira pessoa que entra na sala de cirurgia e a última que sai.


