A polêmica criada pelo Conselho Regional de Enfermagem do Paraná (Coren-Pr) ao questionar a validade dos cursos de instrumentação cirúrgica não passa de uma maneira de promover reserva de mercado aos profissionais da área de enfermagem. A opinião é do presidente do Sindicato Nacional de Instrumentadores Cirúrgicos, Alaércio de Oliveira, também autor do livro ‘‘O Ato de Degemar as Mãos’’. Ele está na Cidade para participar da aula inaugural do curso de instrumentação, na segunda-feira, às 20 horas, no anfiteatro da Associação Médica de Londrina.
Segundo Oliveira, esse debate ‘‘só cria um clima de terror entre os alunos’’ e não contribui em nada para o desenvolvimento da profissão. ‘‘Quem participa de um curso de instrumentação recebe diploma e estará cadastrado junto ao Sindicato da categoria. Por isso não há motivo para pressão.’’
Entre os argumentos do Coren, está o de que a função de instrumentador é exercida pelo auxiliar de enfermagem ou seus superiores, como define a lei federal 7.498/86 que regulamenta a profissão de Enfermagem. Isso porque é necessário conhecimento do corpo humano para poder trabalhar durante uma cirurgia.
Além do mais, apontou o Coren, a profissão de instrumentador não é regulamentada no Ministério do Trabalho e por isso os cursos não teriam validade no mercado de trabalho. Por esse motivo, o Conselho pediu abertura de inquérito junto à Delegacia de Defesa do Consumidor para investigar a atuação dos cursos, depois que ex-alunos reclamaram à instituição justamente porque não conseguiram trabalho. Quando eles pediam emprego, era exigida formação na área de enfermagem.
Alaércio de Oliveira rebate esses argumentos dizendo que a profissão não só é verdadeira como também uma das mais antigas em todo o mundo. ‘‘Existe desde a Idade Média’’, assegura. ‘‘E já tem até o ‘Dia do Instrumentador Cirúrgico’. Então como é que não existe se tem até dia?’’
O ‘Dia do Instrumentador Cirúrgico’ é 6 de maio, data em que nasceu Jean Henri Dunant. Ele é apontado como um dos mais importantes profissionais da categoria, que contribuiu na divulgação e no desenvolvimento técnico da profissão. A data foi instituída através de publicação no Diário Oficial do Paraná, em novembro do ano passado, e também transformada em lei em cidades como Curitiba, Ponta Grossa e Caicó, no Rio Grande do Norte.
O presidente do Sindicato acrescenta que o processo para a regulamentação da profissão está tramitando na Secretaria de Educação e deverá ser reconhecido através de lei específica no Congresso Nacional. ‘‘E outros cursos, como o de Informática, também não são regulamentado de direito. Mas são de fato.’’
Sobre o argumento de que para atuar em cirurgias o profissional deveria ter conhecimento sobre o corpo humano, Oliveira explica que em momento algum o instrumentador coloca a mão no paciente. ‘‘Nós não cuidamos do enfermo e nem temos essa pretensão. O que tem que se entender é que nós trabalhamos com o cirugião, e não com a enfermeira.’’
Entre as funções do instrumentador, Oliveira explica que é organizar os instrumentos cirúrgicos na mesa, em ordem específica; esterilizar, diminuindo risco de infecção; evitar que o instrumento fique no paciente depois de concluída cirurgia etc. ‘‘O instrumentador é a primeira pessoa que entra na sala de cirurgia e a última que sai.’’

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