Os vereadores retiraram de pauta, ontem, o projeto de lei que anularia o decreto do Executivo que tornou, em agosto do ano passado, área de utilidade pública o terreno que abrigou o Colossinho, na região central de Londrina. No local, a prefeitura pretende construir um teatro. A justificativa do vereador Carlos Bordin (PP), que assina o projeto com mais quatro vereadores, é que o decreto seria ilegal por não especificar a destinação da área.
Contudo, na tribuna, a argumentação mais usada pelos vereadores foi que uma grande rede de supermercados tem interesse em comprar a área e que o município não tem dinheiro em caixa para pagar a desapropriação, estimada entre R$ 3 e R$ 6 milhões. Pelo raciocínio dos vereadores, a implantação da empresa traria empregos e investimentos para a cidade.
''A prefeitura não tem dinheiro para indenizar nem construir; só queremos liberar o terreno que tem 14 mil metros quadrados, em área nobre, para que não fique fechado'', argumentou Bordin. Ele negou que tenha conversado com interessados na formulação da lei.
Já o presidente da Câmara, Orlando Bonilha (PL), que também assina o projeto, junto com os vereadores Renato Araújo (PP), João Abussafi (PMDB) e Rubens Canizares (PHS), admitiu ter sido procurado por interessados durante o recesso parlamentar. ''Sou presidente da Câmara e recebo todo tipo de gente no gabinete, eles me procuraram e me colocaram a par do assunto'', afirmou. Questionado sobre quem seria a pessoa, o vereador afirmou apenas que era uma mulher.
O secretário de Cultura de Londrina, Bernardo Pellegrini, rebateu as críticas dos vereadores e classificou o projeto de lei como um retrocesso. Segundo ele, já existe uma rubrica no orçamento da União para cobrir parte dos custos do teatro e a secretaria está captando verbas. Admitiu, contudo, que ainda não existem prazos para o projeto. ''Agora é escolher entre ter um teatro de 2 mil lugares ou ficar refém de um lobby de imobiliaristas'', afirmou. O presidente da Câmara rebateu: ''Não sou imobiliarista, nem contra a cultura, mas acho que as pessoas precisam ter emprego primeiro para poder ir a um teatro'', disse Bonilha. O vereador Carlos Bordin alegou que o projeto foi retirado de pauta para aprofundar a discussão.

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