O uso das feiras livres como es-paço de campanha política divide opiniões. Para o funcionário público José Luiz Bugliani, que estava na feira do Centro, ‘‘tem outros locais para se fazer campanhas’’. O que faz o voto, em sua opinião, é o trabalho que o político já realizou junto à comunidade. ‘‘Quem não fez nada durante o mandato e ainda desprezou o povo agora quer correr atrás do prejuízo’’, criticou.
  Já o eletricista Antônio Campinha, 60 anos, morador da área central mas que prefere ir às compras na zona norte, o trabalho dos cabos eleitorais não incomoda. ‘‘Aqui há liberdade para todos, o respeito deve ocorrer na Igreja e no cemitério’’. Ele reclamou da sujeira provocada pelos santinhos espalhados pela rua. Campinha preferiu colocar os papéis nos bolsos para se desfazer deles quando chegasse em casa. Ele sugeriu que fossem colocadas mais lixeiras.
  Mas não são apenas os cabos eleitorais que trabalham para os candidatos. Alguns feirantes também ‘‘vendem o peixe’’ indiretamente. Numa barraca da feira do Centro, o comerciante Joel – que não quis revelar o sobrenome –, cobria a caixa onde estava a balança com a propaganda de um candidato à Câmara Federal. Ele garantiu que não fazia propaganda política e, como estava escuro quando montou a barraca, não havia notado que se tratava de um jornal político. Mesmo assim ele não trocou o papel.
  Já o feirante Alessandro Magri, 25 anos, da Saul Elkind, usa as sacolas pláticas distribuídas pelos candidatos para empacotar a mercadoria que vende. Ele tinha material de dois candidatos de coligações diferentes. Questionado se com o uso das sacolas não estaria fazendo campanha para pessoas das quais não acredita na proposta de trabalho ele respondeu: ‘‘o brasileiro está esperto, não é o papel que vai decidir o voto das pessoas’’.

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