Edson MazzettoApoio aos doentesSérgio Donadussi, nas obras da Casa de Apoio nos fundos do hospital: terceirização é opçãoA governadora em exercício Emilia Belinati (PDT) e o secretário da Saúde Armandio Raggio, que estarão hoje em Cascavel, deverão tomar conhecimento mais detalhado da situação que envolve a bomba de cobalto instalada no Hospital Regional de Cascavel (HRC). O serviço de tratamento de câncer está gerando polêmica. Para o vereador Aderbal de Mello (PT), ‘‘os fatos levam a presumir a existência de disputa comercial em cima de doentes do câncer’’.
Aderbal de Mello é autor de pedido de informações, via Câmara Municipal, para que a direção do HRC esclareça fatos confusos que envolvem o equipamento. A bomba, com valor de R$ 500 mil, foi doada em junho de 1993 à União Oeste Paranaense de Combate ao Câncer (Uopeccan), e repassada por comodato ao HRC, onde foi instalada em casamata construída especialmente para a finalidade. O equipamento permanece até hoje sem utilização, e com uma pastilha radioativa (que custa R$ 80 mil) já com vida útil no final.
Todas as explicações dadas até agora para justificar a não-ativação do serviço de radioterapia foram insuficientes, estimulando acusações públicas e outras, mais graves, feitas sem que seus autores se disponham a assumi-las. Pessoas diretamente ligadas ao gerenciamento do processo são acusadas de tentar obter vantagens financeiras para facilitar o ativamento da bomba.
A ‘‘disputa comercial’’ pela ativação do equipamento envolve interessados na terceirização do serviço. Para o vereador Aderbal de Mello, isso poderia representar ‘‘privilegiamento aos doentes particulares, em detrimento aos mais pobres’’ que dependem do SUS.
O radioterapeuta Antonio Tadeu Rodrigues, do Rio de Janeiro, cujo contrato foi cancelado pela Secretaria de Saúde do Estado, tenta assegurar direitos pela via judicial. Um grupo de especialistas de Cascavel já fez proposta para a terceirização.
O oncologista Ricardo Sabbi, vice-presidente e um dos fundadores da Uopeccan, distribuiu uma nota para ‘‘afirmar categoricamente’’ que se envolveu no processo ‘‘em caráter voluntário’’ e que não tem interesse na exploração comercial. Sabbi, apontado como uma das pessoas que mais se empenharam na obtenção na bomba, diz que nada tem a ver com a briga, e contesta a disposição da Secretaria de Saúde de fazer a terceirização. ‘‘Seria um desrespeito à comunidade que lutou pelo equipamento, à Uopeccan e ao Rotary Club’’.
O empresário Sérgio Donadussi, presidente da Uopeccan, tem posição diferente. ‘‘Com critérios e com nossa fiscalização, a terceirização pode mesmo ser alternativa adequada’’. Donadussi desconhece acusações que cercam o processo, mas acrescenta que ‘‘se forem verdadeiras, vai ter encrenca da grossa’’.
O diretor do HRC, Marcos Horikawa, garante que o serviço de tratamento ao câncer vai funcionar ‘‘com terceirização ou sem terceirização’’.
Emilia Belinati e Armando Raggio farão a entrega hoje de equipamentos hospitalares de pediatria e obstetrícia para o HRC e para municípios da região, dentro do programa Protegendo a Vida.

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