Para a professora Eloisa Aranda de Souza Ribeiro, a polêmica em relação ao uso do amálgama acabou sendo estimulada pelo que ela chama de era da cosmetologia em odontologia estética, que seria o desafio em oferecer ‘‘restaurações invisíveis’’, ou seja, restaurações da cor do dente. O amálgama, ao contrário das resinas compostas, é escuro, pouco estético e por isso só utilizado nos dentes posteriores.
A dentista acredita também que o fator da competição industrial acaba influenciando na divulgação das opiniões contrárias à utilização do amálgama. A Alemanha, por exemplo - onde o material é considerado de ‘‘terceira qualidade’’-, é uma das maiores fabricantes de resinas compostas do mundo e o país tem interesse na popularização do produto.
Eloisa Ribeiro destaca ainda que a indicação do amálgama ou da resina composta - ou outros materiais alternativos, como a porcelana ou polímero de vidro, que são mais caros - deve seguir critérios técnicos, observando a particularidade de cada paciente.
Para ela, quem deve se preocupar mais com o mercúrio é o próprio profissional de Odontologia, que está manipulando o material diariamente. Além disso, para evitar a poluição, a sobra deve ser disposta em um recipiente com água e vedado. Como é metal pesado, o mercúrio fica no fundo do recipiente e não diretamente exposto ao ar. (L.H.)

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