POLÊMICA À VISTA - Duplicação da Goiás deve demorar
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quinta-feira, 27 de outubro de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
A prefeitura de Londrina espera iniciar as obras de duplicação da Rua Goiás, no Centro da cidade, em até quatro meses. Ontem pela manhã, o Município e a Caixa Econômica Federal assinaram o contrato de repasse de verbas para a obra, no valor de R$ 685 mil. O cronograma otimista da prefeitura não leva em consideração, entretanto, aquela mesma questão que originou a ''novela'' da Avenida Ayrton Senna: a necessidade de desapropriar imóveis.
Conforme o projeto, a duplicação da Goiás compreende um trecho de 650 metros de extensão entre a Rua Michigan e a Avenida Juscelino Kubitscheck, passando pelo fundo de vale do Córrego Água Fresca. Segundo o secretário municipal de Obras e Pavimentação, Aloysio Crescentini de Freitas, a obra exige a desapropriação dos 14 lotes localizados na margem direita da rua, no sentido bairro-centro. Seis deles pertencem à Universidade Filadélfia (Unifil). O secretário de Obras disse que a prefeitura ''já marcou uma conversa'' com o reitor da instituição de ensino.
Outros proprietários, entrevistados pela Folha, declararam não ter conhecimento da evolução do projeto. ''Nem sabia que já estava tão adiantado. Ninguém apareceu aqui para me falar nada, fico sabendo pelos jornais'', declarou o aposentado Aparecido Elias da Silva, 77 anos, que diz ser o morador mais antigo dentre os imóveis a serem desapropriados.
Residente na mesma casa desde 1964, Silva resumiu em uma frase o que pode vir a ser um conflito: ''Sou a favor do progresso e favorável à duplicação, mas já vou avisar: não aceito dinheiro nenhum da prefeitura, só saio daqui se me derem uma casa igual a essa, nesse mesmo bairro'', sentenciou.
Locatária de uma das poucas casas de madeira remanescentes na Rua Goiás, a dona-de-casa Alice Martins Nora, 48 anos, ficou apreensiva. ''Estou morando aqui há uns 15 anos, gosto muito dessa casa. Não terei condições de arrumar outro lugar para morar tão rápido assim'', comentou. Os proprietários da residência moram no Japão. A reportagem também tentou contato com o reitor da Unifil, mas foi informada de que ele estaria viajando.
Mesmo ignorando o andamento das negociações para a duplicação da via, a maioria dos proprietários já sabia que um dia os terrenos seriam desapropriados. De acordo com o engenheiro da secretaria de Obras, Otávio Taccola, a obra está prevista há mais de 15 anos e consta do atual Plano Diretor do município. ''Há muito tempo os proprietários estão proibidos de construir ou ampliar imóveis no local'', afirmou.
O engenheiro atribuiu a longa espera para a concretização do projeto ao alto custo. A parte mais cara é justamente a desapropriação. ''Já estamos com as avaliações dos terrenos prontas. O custo deve passar de R$ 1 milhão'', calculou Freitas. Questionado se teme uma possível briga judicial com os proprietários de lotes, como ocorreu com a avenida Ayrton Senna, o secretário declarou: ''É imprevisível''.


