POLÊMICA - Escola na Vila Nova não quer troca de prédio
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de novembro de 2007
Wilhan Santin<br>Reportagem 
Uma notícia dada pela secretária municipal de Educação, Carmem Sposti, à direção da Escola Municipal Eurides Cunha, que fica na Rua Tietê (Vila Nova), no Centro de Londrina, está causando grande preocupação aos pais, professores e até mesmo às 251 crianças da tranquila escola que só atende a alunos do pré-escolar à quarta série do ensino fundamental. A idéia do poder público é promover uma troca de prédios entre a Eurides Cunha e a Escola Estadual Tiradentes, que também fica na Vila Nova e atende da primeira à oitava séries do ensino fundamental. Quatro quadras separam as duas instituições de ensino.
De acordo com a diretora da escola municipal, Élia Yoshinaga, a troca seria motivada pelo fato de o ensino fundamental de nove anos estar previsto para iniciar na rede pública a partir de 2009, o que causaria o aumento de demanda para a sua escola, que consequentemente precisaria de mais espaço. O prédio que hoje abriga a Escola Tiradentes é maior, e tem quatro salas de aula a mais que o Eurides Cunha.
No entanto, o que faz a comunidade escolar da Eurides Cunha ser radicalmente contra a mudança é a diferença estrutural entre os dois prédios, ambos pertencentes ao Governo do Estado. ''O prédio da Escola Tiradentes não é adequado para crianças. As salas de aula não ficam no térreo. Para chegar até o segundo andar, é preciso subir 44 degraus. O risco de um acidente é grande para os pequenos. Além disso, só há banheiros no térreo'', explicou a diretora.
Outro problema é a falta de espaço para recreação. Enquanto a Escola Eurides Cunha tem até um parquinho para atender aos alunos do pré-escolar, a Escola Tiradentes conta apenas com as quadras esportivas.
Na opinião de Élia, a troca de prédios não precisa ser feita até mesmo pelo fato de a escola que ela dirige ter condições de absorver a demanda de crianças dos primeiros anos de ensino que hoje estudam na Tiradentes. ''É bem verdade que o ensino do pré à quarta série deve ser municipalizado. No entanto, temos 73 vagas disponíveis. Na Escola Estadual Tiradentes há em torno de 60 crianças nessa fase de ensino. Podemos muito bem atender à essa demanda sem a necessidade da troca. O prédio em que hoje estamos foi cedido ao município em 1996, desde então batalhamos muito para deixá-lo como está'', ressaltou.
Para tentar impedir que a idéia da troca siga adiante, a Associação de Pais e Mestres (APM) da Escola Municipal Eurides Cunha começa hoje a fazer um abaixo-assinado que será entrega à secretária de Educação. No documento, eles também vão pedir ao Governo Estadual que doe, difinitivamente, o prédio ao município.
''A nossa escola está tão bem arrumada porque não esperamos apenas pela ação da prefeitura. Nos mobilizamos para conseguir melhorias. No próximo dia 9, por exemplo, vamos fazer uma pastelada para conseguirmos realizar o conserto da impressora da secretaria'', comentou a presidente da APM, Fabiana Aparecida Machado.
Segundo a secretária municipal de Educação, a provável troca de prédios faz parte do processo de municipalização das primeiras séries do ensino fundamental. ''O Estado atende a quase cinco mil crianças que deveríamos atender. Por isso, embora exista o problema da acessibilidade, sou favorável a permuta dos prédios devido ao maior número de salas de aula da Escola Tiradentes. Não se trata de algo pontual, mas de uma decisão de governo contextualizada em um processo. Além da Escola Tiradentes, outras instituições estaduais daquela região deixarão de atender aos alunos das primeiras séries'', justificou Carmem Sposti.


