Depois de sete audiências públicas, a Câmara Municipal se prepara para votar, até o mês que vem, o polêmico projeto de lei que impõe o horário das 23 horas para fechamento dos bares, similares e uisquerias. A iniciativa, apelidada de ''lei seca'', pretende diminuir a violência durante a madrugada, horário em que, de acordo com a polícia, é maior o número de crimes.
Atualmente o projeto de lei nº 8/2005 está em fase de elaboração de um substitutivo, que vai incorporar sugestões dadas durante as audiências públicas. A intenção é que a discussão seja encerrada até novembro. Como bares e similares, o texto original do projeto define aqueles que, ''além da comercialização de produtos e gêneros específicos a esse tipo de atividade'', também vendem bebidas alcoólicas para consumo imediato no próprio local.
A maioria dos proprietários de bares entrevistados pela FOLHA são contrários à lei, mas um deles - que pediu para não se identificado - acha que a medida traria bons resultados. ''Sou a favor, acho que seria uma forma de diminuir a criminalidade, na medida em que os jovens não ficariam na rua até tarde bebendo. Tenho minha família, me preocupo com a violência, e estou neste ramo há 20 anos, sei como é.''
O proprietário admite que para alguns o prejuízo vai ser grande se a lei entrar em vigor. ''Para mim também não vai ser bom financeiramente, mas, por outro lado, acho que vai ajudar a diminuir os crimes. É uma questão de todos mudarem os hábitos'', defende.
Para Waldemir José Nasi, dono de um bar na Área Central, a medida vai trazer prejuízo e desemprego e ''não vai melhorar em nada''. Ele acredita que o resultado será o inverso do esperado. ''Vai ficar muito pior, porque Londrina é uma cidade de estudantes. Querem que eles fiquem onde?'' Nasi acredita que com o fechamento dos bares muitos jovens ficarão bebendo na rua, o que pode ser muito pior. ''O prejuízo vai ser para a cidade.''
O proprietário argumenta que mais importante do que limitar o tempo de funcionamento dos bares é a mudança no texto da lei que proíbe a venda de bebidas a menores. ''Em vez de 'venda', o texto deveria dizer 'proibido a compra de bebidas por menores', e caso estes jovens desobedecessem, os pais seriam responsabilizados'', sugere.
Outro empresário do ramo, Reinaldo Alves Azevedo, diz que só no seu bar mantém 20 empregos diretos e que caso a lei entre em vigor terá que demitir parte dos empregados. ''Aí sim vai gerar marginalização e mais violência'', acredita. Azevedo diz que a violência ''não está nos bares, mas sim no ser humano, na falta de punição para os que cometem crimes''.
Claudson Kenji Miura, dono de bar na Zona Oeste, afirmou que ''vai ser horrível'' se tiver que fechar o bar às 23 horas. Nos finais de semana ele costuma manter as portas abertas até 2h30, 3 horas. ''Temos aqui uns 20 funcionários, e se tivermos que fechar antes vamos ter que demitir, porque as vendas vão cair. O movimento maior é depois das 22 horas'', revela. Para Miura, a medida pode ter algum impacto positivo somente nas regiões em que a violência já é muito grande.

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