Líquido corretor de texto, skate, celular. Estes inocentes e úteis objetos ganham novos usos nas mãos de crianças e adolescentes nas escolas de Londrina. Com isto, tornam-se ''vilões'' para diretores e professores, e chegam a ser proibidos em regimentos internos de cada instituição. ''O corretor adere à tinta de tal forma que a gente tem que usar solvente para tirar'', reclama o diretor do Caic Dolly Jess Torresin, no Jardim União da Vitória (Zona Sul), Amauri Pereira Cardoso.
Na outra ponta da cidade, no Conjunto João Paz (Zona Norte), o skate e o celular é que andam dando trabalho ao diretor do colégio Professora Olympia Moraes Tormenta, Antônio Marcos Rodrigues Gonçalves. ''Na sala de aula eles ficam passando mensagem de um aparelho para outro. Tem também alguns que trazem toca-CDs com fones de ouvido mas ouvem tão alto que o colega do lado escuta. Como estava atrapalhando a aula, restringimos o uso'', esclarece.
Quem não gostou foi o estudante, Jonathan Dias dos Santos, de 16 anos, matriculado no 3º ano do Ensino Médio do colégio da Zona Norte. Ele conta que usaria o skate para ir à escola, caso fosse permitido entrar com o objeto na instituição. ''São quase 15 quadras da minha casa até lá. Minha mãe já autorizou que eu vá, mas não posso ir porque está proibido''.
Ele garante compreender que alguns alunos exageravam no uso do objeto dentro da escola, mas acredita que há preconceito na proibição. ''Todo mundo pensa que skatista é bandido, mas não é assim. Isso é um estereótipo que precisa ser quebrado'', afirma. Ele defende a liberação do skate e a orientação de que os alunos, durante o intervalo, utilizem-no apenas na quadra da escola.
O diretor, Antônio Gonçalves, confirma a proibição e justifica que os estudantes não respeitam as limitações e utilizam o objeto de maneira indevida. ''Tudo aquilo que pode causar transtorno em um momento de confusão, temos que evitar para garantir a segurança dos próprios alunos'', argumenta.
Para limitar e disciplinar as ações dentro de cada instituição de ensino, os diretores e professores podem utilizar o regulamento interno da escola, que deve ser revisto a cada ano e aprovado em assembléia de pais e mestres. ''São normas que regem a conduta dentro de cada colégio. São quase todos parecidos, apesar de considerar algumas particularidades locais. No fundo os problemas acabam só mudando de endereço'', constata o diretor da Escola Estadual Tiradentes, que fica na Vila Recreio (Região Central), Cícero da Silva.
Ele realizou um trabalho que considera positivo no Colégio Estadual Rina Francovig, na Zona Sul do município. ''Durante vários anos conseguimos que ninguém usasse cigarro dentro da escola. Tínhamos quase 1.200 estudantes e no final do intervalo ninguém encontrava uma bituca sequer. O único problema que tive foi com uma professora que não quis cumprir o que previa nosso regulamento e acabou se afastando do colégio'', conta.
Atualmente, trabalhando na Vila Recreio desde março, ele continua no combate ao uso do cigarro e também ao uso de líquido corretivo de texto e do celular em sala de aula. Defende as restrições previstas em regulamento e ainda as atuações firmes dos administradores. ''A escola existe para colocar limites e possibilitar mudanças na vida e formação do indivíduo, por isso acho correto o regulamento interno''.
A manicure Maria Luiza Dias da Silva concorda. ''Tem certas coisas que tem que proibir mesmo'', enfatiza. Ela tem duas filhas que estudam na Escola Tiradentes e gosta das regras impostas. ''Você sabe que tem pai e mãe que nunca vão à escola. Nem para buscar o boletim do filho. Nestes casos, o colégio acaba educando sozinho'', completa.

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