Entre os vestibulandos que ainda estão comemorando a conquista de uma vaga na Universidade Estadual de Londrina, está Klayton Rodrigues de Souza, o poeta-aprendiz que mora em um assentamento nos fundos do Jardim Santa Fé, na Zona Leste e que já foi personagem de matéria da FOLHA. Ele foi aprovado no curso de Enfermagem, contrariando sua vocação de escritor. ''Vou continuar escrevendo, mas quero ajudar as pessoas'', justifica Klayton.
Hoje, aos 18 anos, o poeta-aprendiz ainda convive com a pobreza e a violência do bairro onde vive. Ainda assim, inspirado no teor dos textos que escreve, Klayton soube superar as dificuldades e a concorrência no curso de Enfermagem, que foi de 10,47 candidatos por vaga neste vestibular.
A concretização desse sonho começou em 2004, quando o departamento de assistência social do Colégio Londrinense se sensibilizou com a história de Klayton, publicada pela FOLHA. A instituição, então, lhe ofereceu bolsa integral para os três anos do ensino médio, incluindo material didático, apostilas, uniformes e lanche. ''Os professores fizeram um trabalho intenso com ele e o resultado veio. A felicidade tomou conta de todo mundo aqui no colégio depois do resultado. O exemplo do Klayton deve ser seguido por todos nós'', diz a assistente social do colégio, Jaqueline Fernandes Senna Teófilo.
Para fazer a inscrição no vestibular, o poeta-aprendiz contou com a solidariedade dos colegas de classe, que custearam o pagamento da taxa. Apesar de escolher um curso na área de saúde, Klayton garante que vai continuar escrevendo poemas que retratam a realidade social e econômica em que vive, abordando temas como pobreza e violência, sempre com um olhar otimista sobre tudo.

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