Poesia e sensibilidade no presídio
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sábado, 05 de novembro de 2011
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
A poesia reflete a sensibilidade da pessoa e foi no 1º Concurso de Poesias, realizado em uma escola localizada dentro da Penitenciária Estadual de Londrina, que professores e diretores da unidade descobriram verdadeiros talentos. Participaram da atividade 53 presos que produziram 108 textos sobre os mais variados assuntos. Doze textos foram considerados os melhores e os autores foram premiados com livros, jogos, dicionários, kits de higiene e escolar e com uma visita especial da família que será realizada durante a semana. A divugalção aconteceu ontem à tarde.
A diretora do Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos (Ceebja) Professor Manoel Machado, Ivoneide Aparecida Parra, e a professora organizadora do concurso, Varlete Maria Potrick, acreditam que esta seja uma maneira de valorizar os alunos. ''Estamos promovendo a cidadania para que o preso seja conhecido por algo além do ato ilícito que ele cometeu. Através da poesia a gente conhece o homem, o pai, o filho, o ser humano que é o preso'', disseram. Os textos dos vencedores já ganharam a liberdade e foram inscritos na 8 Ciranda de Poesia realizada pela Secretaria Municipal de Cultura.
As professoras da unidade instalada na PEL 2 ainda tem planos maiores para as poesias produzidas: a publicação de um livro. ''Queremos que este ato educativo saia dos muros do presídio; e temos dois alunos que estão fazendo as ilustrações do livro. Este trabalho vai fazer com que eles sejam reconhecidos pelo potencial e pela transformação que estão fazendo em suas vidas'', afirmou Ivoneide.
Beleza
Dos 12 textos vencedores, cinco falavam sobre a rotina na penitenciária que inclui solidão, tristeza e sonho de liberdade. Um dos textos descrevia a beleza de uma pequena flor que nasceu no pátio do presídio, em meio ao cimento. O autor, Magleno Lima, disse que acompanhou a planta por cinco dias da janela da sua cela até decidir escrever a poesia. ''Eu não imaginei que nasceria uma flor amarela tão linda ali, onde só tem lixo e cimento. Me animou muito ver uma beleza como aquela num lugar que tem ódio e onde as pessoas falam muito de briga e rebelião'', disse.
Márcio Gonçalves também foi um dos vencedores do concurso e disse que considera iniciativas como esta fundamentais. ''É uma oportunidade que temos de ser gente, de mostrar que erramos, estamos pagando mas não deixamos de ser humanos. Aqui somos desprovidos de bens materiais e temos a oportunidade de exercitar o intelecto. A mente não para e a poesia faz a gente melhorar como pessoa'', afirmou.
Para o diretor da penitenciária, Élcio Martins Basdão, o concurso trouxe muitas surpresas. ''Descobrimos pessoas encarceradas que possuem grande intelectualidade e conhecimento com uma capacidade poética que estava adormecida'', disse, Ele destacou que este tipo de ação tem um resultado muito positivo. ''É uma forma de buscar o resgate desta pessoa. Os ânimos se acalmam, a tensão do dia a dia é amenizada e o conhecimento do preso é valorizado. É um resgate de valores e da autoestima desta pessoa'', certificou.


