Vindo de Caetité aos 12 anos, Joaquim Alves da Silva se diz baiano de nascimento, paranaense de coração e cambeense por adoção. No auge de seus 71 anos conta que já foi policial militar, trabalhou em cartório, plantou arroz na Amazônia, professor da antiga Admissão e dono de uma mercearia. Para isso, andou por várias cidades Brasil afora até chegar a Cambé (Norte), onde mora há pouco mais de dez anos. Mais conhecido como Joaquim Poeta, lançou seis livros de poesias, todos ligados a algum acontecimento histórico. Na manga, ainda tem mais duas obras para serem lançadas: a história das duas Grandes Guerras Mundiais e a do Paraguai, ambas em versos.
Falante e expansivo, Joaquim Poeta não economiza vocabulário rebuscado para conversar. ''O meu desiderato sempre foi escrever sobre a história. Em meus versos nem todas as verdades estão escritas, mas tudo o que está escrito é verdade'', resume. Para aprimorar o conhecimento diz que há 39 anos lê todos os dias. ''Gosto de ler sobre tudo, com exceção de feitiçaria, gibi e novela. Além dos clássicos, minha casa é repleta de livros de Gramática, Medicina, Direito e científica em geral.''
Segundo ele, os primeiros versos surgiram quando criança ao relatar o acidente com pólvora que um menino sofrera na fazenda em morava. ''Desde então, não parei mais.'' E, para onde vai, leva um caderninho a tiracolo. ''O poeta é uma criança grande, curiosa, está sempre investigando'', sintetiza. Apesar de já ter vários livros no currículo, seu sonho é escrever sobre a História do Brasil em rimas. ''Acredito que as crianças teriam mais facilidade em aprender com esse estilo de escrita'', defende.
Hoje, trabalha no Centro Cultural de Cambé e continua no ofício de escrever sobre as coisas da vida. Tanto que sua última ideia foi colocar algumas de suas poesias no muro que circunda o local. São seis poemas inéditos dedicados aos jovens, a Deus, aos professores, entre outros. ''Como se trata de um lugar de cultura, quis apresentar algo às pessoas para que identifiquem o Centro, uma espécie de cartão de visitas'', assume. Para isso, não economizou tinta, pincel e muita disposição. ''Tudo é compensado quando as pessoas param para ler os versos. Este é o momento para ganhar mais um amigo.''
Se a paixão pelos versos é notória, declamá-los também faz parte do processo. Mesmo com a forte chuva que caía, fez questão de se aproximar do muro e ler os poemas a quem quisesse ouvir. ''Venha cá que vou ler para vocês, meus novos amigos'', diz, indo em direção aos poemas. Ao final da leitura, conta que as palavras são muito bem escolhidas, para deixar os poemas ainda mais belos. ''Me inspiro em Machado de Assis, o maior estilista que conheço.'' E isso se estende em sua vida. Muito vaidoso, Joaquim carrega um medalhão de ouro no pescoço com um grande J gravado. Relógio, fivela e um cinto trabalhado completam o visual reluzente.

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