Poeira provocada por obra em Maringá irrita vizinhos
Marcos Zanatta
De Maringá
A poeira provocada pelas obras do túnel ferroviário, no Novo Centro de Maringá, está irritando comerciantes instalados em torno da área. A falta de chuva e o vento forte dos últimos dias têm causado aborrecimentos e prejuízos. Estão usando parte da área do Novo Centro para depositar a terra retirada na escavação do túnel, afirma Daniel Mandarino, que tem um escritório de contabilidade na frente da obra. Ele lembra que quando comprou o terreno, em julho de 1991, a prefeitura exigia a construção do imóvel em 30 meses. Fiz o prédio dentro do prazo, mas tenho enfrentado muitos problemas aqui, reclamou.
O que mais preocupa os empresários é o prejuízo que a poeira vem causando. Mandarino diz que os computadores do escritório, e de outras empresas do prédio, sofrem com o pó. Somos obrigados a trabalhar com as janelas fechadas. Mesmo assim tudo está sempre empoeirado, garante. Do outro lado da obra, na avenida Tamandaré, a bronca é ainda maior. O gerente de um hotel na região, Elcio Alves, conta que tem que manter as janelas dos quartos fechadas o tempo todo.
O mais grave, segundo Alves, é que os clientes sumiram. Ele calcula que se deixar as janelas abertas, terá que trocar a roupa de cama e limpar o quarto pelo menos três vezes por dia. O pessoal podia molhar a terra onde os caminhões passam, apela. O comerciante Rogério Mindroni, que tem uma loja de malhas na mesma avenida, diz que o prejuízo é diário. Todas as manhãs, segundo ele, as pontas dos rolos de malhas precisam ser cortadas para expor o produto mais limpo. O maior volume de vendas é de tecidos claros, e a gente tem que cuidar até das mãos para não sujar, explicou.
Até no bar da antiga rodoviária, a mais de 200 metros da movimentação de terras do túnel, a poeira castiga os comerciantes. A balconista Silmara Antonio conta que passa o dia limpando as mesas e o balcão. Quando alguém pede um pacote de bolacha tem que limpar antes de vender. Todos os comerciantes dizem já ter reclamado para a prefeitura, mas não conseguiram solucionar o problema.
Um dos engenheiros responsáveis pela obra, Nereu Peruso, disse ontem à Folha que a empresa está tentando amenizar o problema jogando água no local. Vamos jogar saibro e água nas rotas de trânsito dos veículos, mas tudo isso é paliativo, avisou. Peruso explicou ainda que a terra retirada do túnel será utilizada na urbanização do restante da área. Não tem como levar essa terra para outro local e depois trazer de volta, disse. O que falta é mesmo um pouco de chuva.





