Pelo menos três vezes por semana o produtor rural Éder de Oliveira, 32 anos, leva as hortaliças e frutas que produz em Rancho Alegre (Norte) para comercializar na Central de Abastecimento (Ceasa) de Londrina. Ele vai pela PR-443, encarando um trecho de terra de 17,6 quilômetros do entroncamento com a PR-442 até Jataizinho, dali pegando o bom asfalto da BR-369 para chegar ao seu destino. No total, a viagem, passando pelo poeirão, é de 38 quilômetros.
Se optasse por rodar só por onde tem pavimentação, usando a PR-442 e dando uma longa volta por Uraí, Oliveira percorreria 30 quilômetros a mais com sua camionete e desembolsaria R$ 12,30 na praça de pedágio mantida pela concessionária Econorte na BR-369. Nessa praça, caminhões leves, de dois eixos, pagam R$ 20. Já uma carreta de seis eixos passa por R$ 60. Motociclistas desembolsam R$ 6,20. Contando ida e volta, em uma semana ele gastaria com o pedágio R$ 73,80.
Contudo, apesar da boa economia que faz optando pela PR-443, o produtor tem gastos extras por conta da falta de asfalto. Tem que rodar devagar usando marchas pesadas, gastando mais combustível e, constantemente, tem pneus furados ou cortados. Custos que sobram para o consumidor final dos hortifrutis que ele transporta. ''Todos os produtores rurais da região de Rancho Alegre dependem dessa estrada. O asfalto seria excelente'', comenta Oliveira.
A pavimentação do trecho resultaria em viagens mais curtas e sem pedágio principalmente para os moradores de Sertaneja, Rancho Alegre e Uraí, que constantemente se deslocam até Londrina. No entanto, de acordo com os moradores da região, há 50 anos que governadores prometem que o asfalto está perto de chegar, mas nunca chega, apesar de a estrada já estar bem nivelada e não ter longos trechos de subidas ou descidas, acompanhando o leito do Rio Tibagi. O Programa Estradas da Liberdade do governo Requião, que prometia investir em estradas estaduais para desviar dos pedágios das federais, chegou a criar um clima de esperança nas redondezas, mas não se tornou realidade na 443.
O desalento é maior com as declarações do engenheiro Paulo César de Macedo, coordenador técnico do Departamento de Estradas e Rodagem (DER). Segundo ele, o atual governo ainda ''está tomando pé da situação'' e não há previsão de obras para a estrada. ''Há uma relação de trechos prioritários, mas ainda não podemos divulgar quais são'', ele responde ao ser questionado sobre qual a política de trabalho deve ser adotada pelo DER. De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Transportes e Infraestrutura, em um mês esse plano deve ser finalizado e divulgado.

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