Poeira encobre centro de Maringá
Marta Medeiros
De Maringá - Especial para a Folha
A poeira que se levanta dos montes de terra espalhados no Novo Centro, em Maringá, está desesperando comerciantes, moradores e pedestres. A situação piorou nos últimos dias por causa da falta de chuva. Durante todo o dia de ontem, os pedestres se protegiam e eram obrigados a desviar das nuvens de poeira. No período da tarde, a formação de ventos, aliada ao trânsito de veículos, deixou a paisagem vermelha, carregada de pó.
Em toda a área do Novo Centro, estão cerca de 30 mil metros cúbicos de terra que foram retirados das escavações do túnel ferroviário. A dona de casa Zulmira da Silva, que mora próximo do Novo Centro e utiliza as avenidas locais para ir ao comércio, disse que evita usar roupas brancas e que as janelas de sua casa ficam sempre fechadas. Quando chego em casa corro tomar banho para tirar este pó vermelho, conta Zulmira.
Para o comerciante Rogério Mingroni, que tem uma loja de malhas na esquina das avenidas Herval com Tamandaré, a situação já provoca prejuízos. Uma das malhas que ele vende a R$ 17,00 o quilo, passou para o estoque de retalhos por causa das manchas provocadas pela sujeira da terra.
O comerciante foi obrigado ainda a comprar bobinas de plástico para cobrir as peças de malha branca. Já não descarto a hipótese de mudança, afirmou Mingroni. O comerciante disse que às vezes a poeira é tão intensa que ele fecha as portas da loja para evitar que as malhas se percam.
Segundo o diretor administrativo da Urbamar, empresa responsável pela urbanização do Novo Centro, Massaro Noda, a prefeitura deixou de utilizar caminhões-pipa com água porque não consegue vencer a poeira. Ele afirmou que a terra será reutilizada a partir de janeiro do ano que vem para nivelar a depressão nas laterais do túnel e para aterrar o local por onde hoje passa o trem. Estamos pedindo paciência para as pessoas e também chuva para amenizar a situação, ressaltou o diretor.
O contador Daniel Mandorino, proprietário da primeira empresa construída no Novo Centro, disse que todas as vezes que reclama ouve sempre a mesma conversa. Quando comprei a área, no contrato estava estipulado que em 30 meses a obra estaria pronta e isso foi há sete anos, revela. Mesmo mantendo tudo fechado, com todo este calor, a sujeira é sempre constante, reclama.





