''Podia estar morto agora'', diz policial
Corri mais risco de vida que as pessoas que estavam na casa. Podia estar morto agora. Assim o policial militar Juvenir dos Santos Sestal, 30 anos, definiu a ação de ontem de manhã, em que foi um dos principais protagonistas. Ele estava com mais três companheiros na viatura, a caminho do Jardim Bandeirantes, quando foram chamados pelo rádio.
Quando os policiais chegaram na residência do cantor Alcino Alves, um dos assaltantes já saía com uma mochila nas costas. Ao nos ver ele voltou para a casa, aí eu entrei atrás. Na sequência, eles fecharam o portão através do controle remoto e os outros policiais não conseguiram entrar, contou Sestal. O momento de maior tensão para o soldado foi quando viu que tinha acertado um tiro em um dos assaltantes, logo depois de concordar em entregar sua arma. Achei que seria morto.
Um dos assaltantes apareceu apontando a arma para o pescoço da dona da casa. Eu não podia imaginar que o revólver era de brinquedo, e muito menos que o outro assaltante estava baleado. Para poupar a vida das mulheres, aceitei entregar minha arma e o colete à prova de balas. Sestal acha que só não foi morto porque, para os assaltantes, naquele momento, era mais interessante tê-lo como refém.
O soldado atua na Polícia Militar há 10 anos, e está prestes a ganhar a licença-prêmio de seis meses, que todos os policiais têm direito a cada década de serviços prestados. Já enfrentei um fogo cruzado certa vez, em um acampamento de sem-terra. Mas esta foi a primeira vez que fiquei na mira do assaltante, com o revólver apontado para meu pescoço, afirmou ontem à tarde, já em sua casa.
Sestal acha que agiu de maneira correta ao tentar dialogar com os assaltantes e se oferecer para ficar como refém, no lugar de uma das moradoras da casa. Se preciso, faria a mesma coisa novamente, desde que não soubesse que um dos assaltantes estava alvejado. Se soubesse, iria procurar abrigo. E aí, só por Deus, disse. (S.L.)





