PODER TRANSFORMADOR - Desafiando gigantes e formando pessoas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 27 de julho de 2017
Pedro Marconi<br>Reportagem Local 
Presente em duas Olimpíadas Seul e Atlanta , o londrinense Cleverson Oliveira iniciou em 2009, na Escola Municipal Noêmia Malanga, no jardim Olímpico (zona oeste), o projeto "Desafiando gigantes". Em um bairro onde habitam mais de nove mil pessoas, os gigantes são classificados pelo professor, que também leciona na instituição, como as drogas e a criminalidade, que diariamente são vencidas quando as crianças e adolescentes participam das aulas de atletismo.
Assim como no União da Vitória, as atividades são realizadas na rua e também funcionam como contraturno. São 60 meninos e meninas atendidos, chegando a 120 em época de competição, com faixa etária que varia dos oito aos 18 anos. A ação começou a ganhar forma quando, precisando completar o horário como educador, Oliveira viu a abertura da comunidade para algo do tipo. "Foi aumentando tanto, que o projeto se tornou tradicional nesta região. Hoje consigo conciliar as aulas de educação física na instituição agregando com o atletismo", explica. Anualmente, ele realiza a "maratoninha", com distribuição de bicicletas e medalhas como premiação.
Com a importância que a iniciativa ganhou na vida dos participantes, jovens que começaram quando eram crianças continuam no "Desafiando gigantes". Segundo ele, as diferenças em todos que estão nas aulas são perceptíveis. "Do primeiro momento que entrei na escola para agora mudou muito, para eles e para a escola. Temos uma parceria muito grande e para estar aqui precisam tirar boas notas, serem aprovados e ter bom comportamento", elenca.

RETRIBUIÇÃO
Nascido e criado no jardim Bandeirantes, na zona oeste, Oliveira coleciona medalhas e prêmios conquistados em mais de 30 países. Prata no revezamento 4x400 no Pan-Americano de Winnipeg, no Canadá, o ex-atleta escolheu a região em que viveu para retribuir o carinho recebido durante os anos competindo. "Tenho um acesso muito grande dentro da comunidade, por isso dificilmente vou sair daqui. O objetivo é permanecer e atrair cada vez mais crianças. Acredito muito neste lugar".
Acostumado com o pódio, ele vê no projeto a posição que dificilmente encontraria em uma disputa. "Hoje o que eu sou como professor e pessoa foi graças ao atletismo. Não defino o Cleverson sem o projeto social. Muitas coisas mudaram na minha vida e o que tive de experiência consigo ofertar para eles. Tenho um histórico esportivo bom, porém minhas vitórias dentro do projeto são muito maiores", reconhece.
Também professor de educação física na rede estadual de ensino, Cleverson Oliveira acredita que a junção da educação com o esporte é o principal caminho para oferecer cidadania. "Através disso consigo mostrar outra realidade para eles. Prevejo um futuro para estas crianças e adolescentes melhor do que os pais de muitos deles têm. Isso com a educação e o esporte", confia. "Mais do que atletas, buscamos formar pessoas", resume.

SERVIÇO
Mais informações sobre o projeto Desafiando Gigantes pelo fone (43) 3375-0154
Convivendo com a falta de recursos
Ainda que sejam projetos importantes para a cidade, o "Corrida para o futuro" e o "Desafiando gigantes" convivem com a falta de dinheiro e patrocínio. Isso dificulta o trabalho dos professores, que diariamente precisam contornar mais este obstáculo. Na iniciativa do jardim União do Vitória, uma campanha precisou ser realizada em 2017 para angariar sapatos, já que as crianças estavam tendo que correr descalças.
Para que possam buscar recursos privados e públicos, ambos irão se tornar instituto. "Vamos buscar parcerias para que possamos usar pistas, seja da UEL (Universidade Estadual de Londrina), do Vitorino Gonçalves Dias ou do estádio do Café, pleitear recursos, porque eles existem. Por falta de incentivo temos perdido muitas crianças com grande potencial para se tornarem atletas", afirma Dirceu Vivi.
De acordo com Cleverson Oliveira, que precisa adaptar muitos materiais para os participantes do projeto em razão da falta de dinheiro, a formalização ajudará a levar as crianças e adolescentes para mais competições e com estrutura. "Tenho uma parceria muito positiva com o Dirceu e ele ficará em Londrina e eu em Cambé, só que vou atender normalmente aqui. Isso para poder participar de Jogos da Juventude e outros campeonatos", projeta. (P.M.)
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