'Pode ser farinha ou coisa pior'
Guilherme Marquezine, médico endocrinologista, explica que a sibutramina é uma nova geração de medicamentos no auxílio ao tratamento de obesidade. ''O medicamento veio preencher a lacuna que havia para a doença, já que as substâncias existentes não ofereciam efeitos a médio e longo prazo. Apesar de esta droga também ter um efeito limitado e sozinha não resolver o problema do excesso de peso. O tratatamento da obesidade consiste em tratar causa, e no caso desta doença não existe um distúrbio químico, e sim calórico'', comenta.
Ainda que o remédio seja recomendado para casos de obesidade, tem sido prescrito em casos para pouca perda de peso. ''Não estamos falando de três ou quatro quilos. A sibutramina é indicada para pessoas que estejam efetivamente sofrendo com a obesidade e suas comorbidades. Entretanto, mais uma vez ressalvo que medicação não garante resultados de forma isolada, não é a 'salvação da lavoura'.''
O remédio, segundo ele, age em dois aspectos farmacológicos: um é o aumento da seratonina, que dá sensação de bem-estar, além de reduzir a ansiedade e a compulsão. O outro aspecto é o efeito estimulante, que inibe ou mascara o apetite. ''Apesar de não causar dependência, há vários efeitos colaterais como insônia, ressecamento da mucosa intestinal, picos de hipertensão, arritmia cardíaca e até mesmo alterações de comportamento. Misturado ao álcool, são duas substâncias com potencial de mudar o comportamento'', acrescenta Marquezine.
Mesmo sendo um dos medicamentos mais receitados, o médico alerta para o uso indiscriminado. ''A medicação usada de forma errada pode alterar todo o metabolismo da pessoa, dificultando ainda mais a perda de peso em uma tentativa posterior, ocasionando o que chamamos de efeito sanfona.'' Sobre a aquisição da sibutramina sem a receita, o endocrinologista diz que o problema do contrabando é não saber a origem do medicamento. ''Pode vir qualquer coisa dentro, desde uma farinha, ou coisa pior.'' (M.T.)





