A pressão dentro do 3º Distrito Policial de Londrina (zona oeste) provocada pela superlotação de presos e pela proximidade da inauguração da Prisão Provisória pode ‘‘estourar’’ em uma nova rebelião a qualquer momento. O alerta é do delegado Jurandir Gonçalves André (foto). O 3º DP tem hoje 80 presos - a sua capacidade máxima é para 36. Só neste ano o distrito já enfrentou duas fugas, uma rebelião e uma tentativa de fuga em massa. ‘‘Os presos estão dispostos a tudo para escapar’’, afirma o delegado. ‘‘Eles sabem que uma vez transferidos para a Prisão Provisória vai ficar bem mais difícil.’’
A situação, conta o delegado, começou a se agravar na semana passada e culminou no sábado à tarde, com uma tentativa de fuga em massa. Os presos - 76 na ocasião - destruíram os cadeados das celas, usaram uma ‘‘micha’’ (imitação de chave) para abrir uma das três portas que separam as celas da parte administativa do distrito e serraram a segunda porta. Só não fugiram porque o policial de plantão, investigador Afonso Takeo Inoue, percebeu a movimentação nas celas e acionou o batalhão de choque da Polícia Militar.
‘‘Nós já sabíamos que haveria uma tentativa de fuga e estávamos alerta’’, afirma o delegado André. O policial de plantão acredita que os presos pretendiam dominá-lo. ‘‘Ainda bem que percebi e não abri a porta para fazer verificação, como de costume’’, afirma Takeo Inoue. O investigador conta que teve de disparar várias vezes para intimidar os presos e ‘‘segurar’’ a tentativa de fuga até a chegada do batalhão de choque. Diante dos disparos, os presos promoveram um quebra-quebra dentro das celas e queimaram colchões.
A polícia demorou quase três horas para controlar a situação. Os presos foram retirados do corredor das celas e levados para o pátio, onde passaram por uma revista parcial. As celas também foram revistadas. A polícia encontrou oito estoques - armas feitas artesanalmente - e barras de ferro. Depois de providenciados novos cadeados, os presos foram reconduzidos às celas.
No domingo, novamente com o apoio do batalhão de choque da PM, houve nova revista nas celas. Foram encontrados outros 30 estoques feitos com peças de rádio, televisões e aparelhos de som que estavam dentro das celas. ‘‘Isto mostra claramente que eles não desistiram da fuga e pretendem tentar novamente em breve’’, adverte o delegado do 3º DP.

mockup