O ano de 2013 será de readequações para parte das escolas municipais, que terão em seu quadro um número maior de alunos em função do sistema de ensino fundamental de nove anos, implantado em Londrina em 2009. As instituições terão, pela primeira vez, turmas do quinto ano. Com isso, elas trabalharão mais tempo com cada aluno, gerando uma demanda maior de espaço.
Nas últimas semanas os diretores vêm sendo chamados na Secretaria Municipal de Educação para expor a situação de cada instituição e estudar soluções. Um panorama real das dificuldades, porém, só deverá ser traçado após o encerramento do período de matrículas, que começa no mês que vem. A diretora pedagógica da Secretaria, Mariangela de Sousa Prata Bianchini, informou, depois de conversar com vários diretores, que a situação não é tão preocupante quanto a imaginada no início.
Segundo Mariangela, porém, é provável que algumas instituições, diante da maior necessidade de salas, tenham que deixar de oferecer ensino pré-escolar, hoje chamado Educação Infantil (EI-6), transferindo a demanda para os Centros de Educação Infantil (CEIs) de cada região.
Neste caso, o problema crônico de falta de vagas nas creches municipais e filantrópicas seria agravado no ano que vem. ''Toda procura será registrada para que as soluções sejam buscadas'', ressaltou Mariangela. Diretoras ouvidas pela reportagem também já cogitam a possibilidade de fechar as turmas de Educação Infantil em 2013.
De acordo com a diretora pedagógica, em 2009, quando houve a implantação do ensino de nove anos, foi feita uma projeção de demanda, constatando a necessidade de investimentos no espaço físico para que existisse uma situação confortável ao chegar no quinto ano, mas de lá para cá pouco foi feito. ''Até houve a construção de algumas escolas, mas para atender à demanda de algumas regiões, e não efetivamente pensando nesta situação do quinto ano.''
Mariangela revela que em algumas escolas espaços antes destinados a outros fins, como biblioteca ou sala de vídeo, poderão ser transformados em sala de aula. ''Para a escola funcionar redondinha, temos alguns espaços alternativos. Mas neste momento, se for preciso, a instituição terá que abrir mão destes espaços. Não vamos inviabilizar o lado pedagógico. É esse quebra-cabeça que vamos fazer junto a cada diretor, trabalhando caso a caso'', detalha a pedagoga. Ela garante, porém, que nenhum aluno já matriculado em uma instituição será transferido. ''O direito à rematrícula é garantido.''
Ao todo o município tem 79 unidades de ensino, entre urbanas e rurais, atendendo 26,7 mil alunos. De acordo com o assessor de Planejamento da Secretaria de Educação, Horácio Utiamada, o planejamento feito em 2009 previa a construção de 32 novas salas de aula, mas ele não soube dizer quantas delas saíram do papel. ''De lá para cá a demanda mudou, principalmente em função dos novos conjuntos habitacionais. Hoje seriam necessárias pelo menos 41 novas salas.'' O estrangulamento maior, segundo Utiamada, está nas zonas Norte e Oeste. Nestas regiões, mesmo fazendo realocações de alguns ambientes, devem faltar 15 salas para atender os primeiros anos do ensino fundamental.
No ano de 2012, segundo Utiamada, foram ampliadas ou reconstruídas três escolas na Zona Norte e havia projetos de ampliação de mais duas, que não foram executados. Atualmente há uma escola sendo finalizada no Jardim Belle Ville, também na Zona Norte, e outra na Zona Leste. Os dados da Secretaria de Educação mostram que a cada ano entram, em média, 6 mil novos alunos no ensino fundamental.

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