Podas ameaçam as árvores e a população, diz pesquisador
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quarta-feira, 27 de agosto de 1997
Paulo Ubiratan Londrina 
Milton DóriaFeia e fracaÁrvore podada para não prejudicar a fiação: risco constante O pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), Paulo Guilherme Ribeiro, afirma que as podas indiscriminadas nas árvores plantadas nas ruas de Londrina, feitas pela Copel, ameaça as árvores e a segurança da população.
Segundo ele, basta um vento mais forte sobre a Cidade para provocar um grande número de acidentes. Ele lembra o grande número de árvores que caem sobre carros, muros e os desgalhos provocados por ventos, criando problemas também à rede elétrica da própria Companhia Paranaense de Energia Elétrica.
Existe uma forte intransigência da Copel, que exige um sistema de poda que danifica e mutila estas árvores, comprometendo a vida delas, diz o pesquisador do Iapar. O efeito desta barbaridade nós observamos com muita frequência: árvores caindo, grande quantidade de galhos sendo levados pelo vento e os riscos que ficam expostas as pessoas, além de prejuízos patrimoniais.
Mário CésarAlertaRibeiro: Estas árvores são frondosas e não toleram podas
Paulo Guilherme Ribeiro questiona também a falta de planejamento entre Copel, Sercomtel S/A Telecomunicações e o sistema de TV a cabo, que, segundo ele, distribuem uma grande quantidade de fiação aérea em todas as direções, formando uma enorme teia de aranha. Ele alerta para o fato de que no meio desta confusão de fios estão árvores que não toleram podas sucessivas, que enfraquecem com o tempo e são derrubadas por um vento mais forte.
Precisamos discutir este assunto com profundidade e dar início a um processo de poda criteriosa ainda este mês, propõe o pesquisador. Por causa do fenômeno El Ni¤o, a partir de setembro teremos uma primavera extremamente chuvosa, conforme as previsões. O El Ni¤o vem provocando problemas meteorológicos em todo planeta e nossa região não está fora disto.
O pesquisador sugere rever o plantio destas árvores e mudar o critério de podas, consultando profissionais da área - agrônomos e engenheiros florestais. Ele citou como exemplo o bairro Bela Suiça (zona sul), onde foram plantadas grevilhas e flamboyant embaixo da rede elétrica. Estas árvores são exuberantes, frondosas e não toleram podas. Breve elas serão mutiladas com podas e vão cair, diz Ribeiro. Eu não quero crer que existe, por trás destas podas desordenadas, interesse maior. No passado aconteceu de uma empresa contratada pela Copel vender a lenha das podas para fazer carvão. Na época, a comercialização desta lenha provocava uma poda excessiva. Quero crer que atualmente esteja acontecendo apenas uma poda irracional, muito além do necessário.
Outro aspecto ressaltado por Paulo Guilherme Ribeiro é que, além de preservar a oxigenação do meio ambiente, a árvore deve servir como adorno de beleza no contexto paisagístico e estético da Cidade. Temos que ter critérios ao podá-la, para dar uma visão que agrade aos olhos, afirma ele. A árvore não se resume apenas no verde mas no seu contorno. Exemplo de uma coisa feia é a maioria das árvores que estão no canteiro central da avenida Duque de Caxias, nas proximidades do Colégio Maxi, que mais parecem uma forquilha. Temos outros exemplos na avenida Higienópolis, onde estão as belas árvores quaresmeiras, quase que totalmente mutiladas.
Uma das propostas de Paulo Guilherme Ribeiro é promover em Londrina uma discussão ampla sobre a qualidade ambiental, tendo como base a implantação de sistemas de manejo e preservação do meio ambiente. Segundo ele, esses sistemas são desenvolvidos, na maioria das vezes, em função do crescimento demográfico, mas nem sempre são desejáveis do ponto de vista estético e funcional, ignorando muitas vezes a sustentabilidade ecológica.
Ele toma como exemplo a simples poda das árvores, que chega a atrapalhar todo o processo estético da Cidade. A expectativa é desenvolver uma política ambiental conjunta - pública e privada - sem conflitos. Paulo Guilherme Ribeiro não descarta a possibilidade de Londrina sediar um congresso para discutir o problema em âmbito nacional, trazendo especialistas no assunto. Ele lembra que, recentemente, ficou pronto o Plano Diretor da Cidade, e a discussão viria ajudar a completá-lo na questão ambiental.
O engenheiro Artur Nishikawa, responsável pelo setor de poda de árvores da Copel, afirma que este serviço é terceirizado pela companhia e fiscalizado pela Autarquia do Meio Ambiente (AMA) do município. A Copel não é especializada neste setor, por isto terceirizamos o serviço de poda, apesar de nos responsabilizarmos sobre qualquer erro que por ventura venha a acontecer, diz Nishikawa. Se realmente está ocorrendo erros nas podas, quem deve falar a respeito é a AMA. Ele lembra que, além da Copel, a própria AMA e a Secretaria de Obras de Londrina também fazem podas em árvores plantadas nas calçadas.
O presidente da AMA, Nelson Kohatsu, estranha as denúncias de Paulo Guilherme Ribeiro, indagando o porquê dele não procurá-lo e discutir o assunto diretamente. No entanto, Kohatsu diz que até pode ocorrer problemas, pois a fiscalização da AMA nos trabalhos de poda da Copel não é feita árvore por árvore.
Kohatsu relata que as árvores plantadas inadequadamente nas ruas não são de seu tempo na autarquia. Estamos até substituindo diversas espécies de árvores que não servem para a via pública, apesar das críticas que temos recebido (ele não quis revelar quem faz as críticas). Na próxima semana vamos substituir diversas espécies que estão na avenida São Paulo, já prevendo a queda destas árvores.
Quanto ao tipo de poda que deixa as copas das árvores em forma de forquilha, Kohatsu disse que tecnicamente não existe outro jeito de realizar o trabalho. Na primeira poda temos que fazer assim (em forma de forquilha) para que, naturalmente, no renascer dos galhos, forme na copa da árvore uma espécie de túnel por onde passarão os fios, afirma o presidente da AMA.


