Poda de árvores gera polêmica na zona oeste
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terça-feira, 12 de agosto de 2003
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
Cansados de esperar uma ação do poder público, moradores do Residencial Champagnat, localizado na Rua Deputado Nilson Ribas, no Jardim Champagnat (zona oeste de Londrina) tomaram uma decisão polêmica: por conta própria, decidiram erradicar um flamboyant e fazer a poda drástica em um ipê e em uma magnólia. Quatro homens contratados para o serviço foram flagrados, ontem, pela fiscalização da Secretaria Municipal do Meio Ambiete (Sema). Eles foram autuados e têm um prazo de sete dias para apresentar defesa ao órgão. Se não convencerem, o caso será entregue à Promotoria do Meio Ambiente. A multa neste tipo de infração varia de R$ 50 a 1.100,00.
Os moradores da região não concordaram com a autuação e afirmaram que a poda foi uma questão de segurança. Para a representante comercial Terezinha Hesko, que mora na região há 15 anos, ''a rua fica escura e os traficantes escondem maconha nas copas. Não podemos tolerar este tipo de coisa'', defendeu-se. Outro morador, que não quis se identificar, alega que a escuridão das ruas funciona como um esconderijo para adolescentes infratores e concorda com a poda.
''Há seis meses estamos solicitando este serviço, mas a Sema não faz nada'', justificou o síndico do condomínio, Osvaldo Borges. Mesmo sabendo que praticou um ato ilegal, o síndico pretende podar outras árvores da rua contratando o mesmo grupo, que segundo ele, são seus ''conhecidos''. O único contrário à atitude foi o cartunista José Pires, conhecido como Jota, que disse não ter sido consultado pelos vizinhos. ''É muito triste chegar em casa e ver uma árvore com os galhos cortados. Não vamos resolver o problema da insegurança pública podando árvores. Desta maneira, vamos transformar a cidade em um deserto'', ponderou o morador.
Segundo o diretor operacional da Sema, Gérson Galdino, o órgão iniciou recentemente um trabalho programado de poda em todas as 120 mil árvores dos logradouros públicos da cidade, o que deve ocorrer até o final de novembro de 2004. ''Sabemos que há uma grande demanda reprimida. Alguns bairros estão esquecidos há mais de duas décadas, como o Conjunto Avelino Vieira, por exemplo, mas esperamos solucionar este problema brevemente'', admitiu Galdino.
Porém, segundo ele, mesmo com o trabalho, a Sema não vai permitir casos de poda ilegal, ato que fere às legislações federal e municipal para o meio ambiente. Segundo Galdino é preciso autorização do órgão para fazer a poda. Em média, o órgão notifica 65 pessoas ao mês por este tipo de infração. Nos casos mais graves (20 em média), são lavrados autos de infração por erradicação ou poda drástica (que compromete as características físicas da planta). De acordo com a legislação, a poda pode ser feita legalmente desde que respeite o equilíbrio (proporção lateral), a gema apical (parte superior da copa) e a destinação em local adequado para os galhos.


