Poços artesianos oferecem perigo
Cerca de mil
estabelecimentos usam
água de poços comuns
ou artesianos
Eliane Eme Sato
Mauro FrassonA técnica Nicole Marineni, que opera os instrumentos no Laboratório de Pesquisa Hidrogeológica da UFPR, faz um alerta para consumidores de água subterrânea: testes devem ser feitos todos os meses para garantir a qualidade do produto
A água de poços artesianos, embora pareça saudável e pura, pode estar contaminada, segundo o coordenador do Laboratório de Pesquisa Hidrogeológica da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ernani Francisco da Rosa Filho. Existem em Curitiba cerca de mil estabelecimentos, como condomínios, hospitais e residências, que usam água subterrânea, de poços comuns ou de poços artesianos. A maioria, porém, não faz análise da água.
Segundo o professor, embora a água subterrânea seja pura, a contaminação pode ocorrer quando o poço é mal construído ou há infiltração na tubulação. A água deve ser testada todos os meses para detectar a presença de coliformes fecais. A análise de elementos químico-físicos deve ocorrer a cada seis meses.
O Laboratório da UFPR adquiriu este ano equipamentos de última geração para medição do índice de contaminação especificamente em água subterrâneas. É o caso dos três últimos equipamentos. O fotômetro de chama e o laboratório de bacteriologia verificam a existência de coliformes fecais ou totais. O outro aparelho, de absorção atômica computadorizada, mede os elementos físico-químicos, sendo possível saber se o produto é potável e de qual tipo de rocha a água é originária.
Água tratada - A alteração na qualidade também pode ocorrer com a água fornecida pela Sanepar, embora seja tratada. Isso ocorre devido a algum tipo de interferência - em 99,5% dos casos, segundo a Sanepar, a contaminação ocorre nas torneiras dos jardim e 0,5% são causados por problemas de coleta. Nas torneiras, a contaminação ocorre porque o consumidor usa vedante de couro para evitar vazamento. Por ser de matéria orgânica, o vedante apodrece e permite o desenvolvimento das bactérias.
Segundo a Sanepar, as alterações de ordem físico-química são detectadas em regiões onde ocorre alto consumo ou baixa pressão. O aumento da velocidade da água nas redes de ferro fundido pode provocar alteração de cor e turbidez, sem alterar a qualidade da água. Mas o último boletim da empresa constatou problemas bacteriológicos em água fornecida pela Sanepar em 36 municípios do Estado.

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