Poços abertos na zona norte tiram o sono de dona-de-casa
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quarta-feira, 09 de abril de 1997
Célia Baroni 
No fundo de valeA moradora Rosa Pires: É um perigo. Se uma criança cai lá dentro morre antes de ser socorrida Três poços com profundidade média de 1,5 metro, que permitem a manutenção da rede pluvial (chamados de poços de visita), localizados no fundo de vale do jardim Imagawa, loteamento ao lado do conjunto Hilda Mandarino (zona norte), estão abertos. É um perigo. Se uma criança cai lá dentro morre antes de poder ser socorrida, alerta a dona-de-casa Rosa Pires, moradora do Conjunto Hilda Mandarino. Alguém tem de tomar uma providência rápido. Depois que acontece uma desgraça, não adianta mais.
Rosa Pires conta que descobriu os poços há cerca de uma semana, quando foi até o fundo de vale procurar ervas para fazer um chá contra dores nos rins. O local onde estão os poços de visita ficam a cerca de três quarteirões de sua casa. Ela acrescenta que, antes do fundo de vale ter sido limpo, o matagal impedia o acesso ao local. Agora o ribeirão e as ruas em volta do fundo de vale se tornaram o ponto preferido da garotada que vai até lá nadar, correr e soltar pipa. A maioria dos pais destas crianças trabalha fora e nem sabe o risco que elas estão correndo.
Rosa é mãe de um menino de nove anos e ela garante que já proibiu o filho de ir brincar no fundo de vale. Quando cheguei lá, vi os poços abertos e, mais adiante, um monte de crianças brincando no fundo de vale e nadando em uma espécie de lagoa formada pelo ribeirão. Fiquei apavorada e nem dormi naquela noite, diz.
O fundo de vale faz parte do loteamento do jardim Imagawa, que antes era uma chácara, e os poços de visita encontrados abertos por Rosa são da rede pluvial ainda em construção. Todos os poços de visitas foram tampados com tampas de ferro fundido ou de concreto, justamente para evitar qualquer risco de as pessoas sofrerem um acidente no local. Se as tampas sumiram é porque foram roubadas, denuncia Vitor Mendes, proprietário da empresa Mendes Neto, responsável pelo loteamento.
Segundo Mendes, toda a obra de infra-estrutura do loteamento - asfalto, meio-fio, rede pluvial, etc. - foi vistoriada pela Secretaria Municipal de Obras. Faz parte dos requisitos exigidos para a liberação do loteamento para venda, afirma. Ele acrescenta que vê com preocupação o sumiço das tampas dos poços de visita. Explica que enquanto a urbanização não estiver concluída e as calçadas prontas não é possível fixar de forma mais definitiva as tampas de concreto dos poços.
Mendes alerta que o problema do risco para as crianças não vai acabar se continuarem roubando as tampas. A situação só vai ser resolvida quando a região estiver habitada e os próprios moradores atuarem como fiscais para manter as benfeitorias. Além da questão da segurança, Mendes enfatiza que há o prejuízo para a empresa. Cada tampa de ferro fundido custa, segundo ele, cerca de R$ 110,00.


